Ricardo Moraes /ReutersDilma ao lado do presidente Lula. Para disputar eleição em 2010, ministra-chefe da Casa Civil já começou a treinar "lulês"
27 de Maio de 2012
Ministra-chefe da Casa Civil se prepara para candidatura em 2010
.Na versão "Dilminha paz e amor", a candidata do PT ao Palácio do Planalto vai adotar agenda mais popular nos fins de semana a partir deste mês e já está treinando o "lulês", como ficou conhecida a linguagem coloquial usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos.
Dilma já substituiu o tradicional "senhores e senhoras" por "companheiros e companheiras", esforça-se por traduzir os números do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o cotidiano da população e recorre com frequência ao bordão que os brasileiros não se cansam de ouvir na boca do presidente: "nunca antes na história deste país".
Na tentativa de se aproximar do público feminino, a ministra também aprendeu a bater na tecla do preconceito contra a mulher e abusa da retórica sobre o "aconchego do lar" quando apresenta o programa Minha Casa, Minha Vida, que usará como plataforma de campanha. A "família" é personagem constante nos discursos de Lula, mas até mesmos petistas observam que Dilma não tem a mesma espontaneidade ao falar da vida real.
A estratégia criada sob medida para produzir uma identificação entre Lula e Dilma nos palanques já virou motivo de brincadeira no grupo de conselheiros da ministra, que se reúne semanalmente para traçar diretrizes políticas. Bem-humorados, eles chegaram a bolar um slogan rimado, que dá o tom da propaganda a ser feita pelo presidente nos comícios de 2010: "Vote na Dilminha, a sua candidata e a minha."
Aluna aplicada do marqueteiro João Santana, Dilma faz media training para enfrentar o batalhão de jornalistas que costuma entrevistá-la. A ordem do Planalto para a ministra, conhecida como "pavio curto", é contar até dez e respirar fundo antes de responder a perguntas incômodas. Sob a orientação de Santana, Dilma também reformulou o guarda-roupa, adotou lentes de contato ainda no ano passado e hoje usa uma cor para cada ocasião.Capricha no vermelho em cerimônias do PT, recorre a cores mais sóbrias em solenidades com empresários, religiosos e políticos e prefere tons mais claros, como o verde, no contato nas ruas com o povo.
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