27 de Maio de 2012
Eles garantem dinheiro para a campanha, tempo na TV e munição contra adversários
A escolha do vice tucano é a que mais chamou a atenção nesta largada eleitoral. Escolhido de última hora, Indio foi vendido ao eleitorado como o vice que representa juventude (ele tem 39 anos) e ética, por ter sido ele o relator do projeto Ficha Limpa. Na prática, dizem os especialistas ouvidos pelo R7, ele seria inexperiente demais para a função e o homem certo para dizer as coisas “erradas” que Serra não quer declarar, afirma o cientista político José Paulo Martins Júnior.
- Indio fica com a função de atacar Dilma [Rousseff, candidata do PT à Presidência] para preservar Serra de desgaste político.
Em pouco mais de duas semanas, Indio chamou Dilma de “esfinge do pau oco”, acusou o PT de ter ligações com os narcotraficantes das Farc (Forças Revolucionárias da Colômbia), disse que virou político “para dizer tudo o que pensa” e foi multado por propaganda eleitoral antecipada.
Comparado a Sarah Palin – a ex-candidata à vice-Presidência dos Estados Unidos famosa pelas gafes na última campanha –, Indio estava longe dos mais cotados para ocupar a vaga de vice. Serra, que desejava um nome do PSDB, acabou aceitando a indicação do DEM para não rachar a aliança histórica entre os dois partidos e perder mais de dois minutos na propaganda eleitoral gratuita.
As barganhas políticas também marcaram a escolha do deputado Michel Temer (PMDB) para o cargo de candidato a vice-presidente de Dilma. Lula queria outro peemedebista, mas Temer, que preside o PMDB, bateu o pé para ficar com a vaga. Sem opções, o PT abraçou o PMDB e ficou com o maior tempo de televisão no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
Martins Júnior diz que a tarefa de Temer será a de garantir a unidade do PMDB, a legenda mais fragmentada e dona da “maior máquina partidária do Brasil”. Já a cientista política Maria do Socorro, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), lembra que o passado de Temer pode dar munição para os adversários de Dilma na campanha. O peemedebista, que admitiu "equívocos" no uso de verba indenizatória, foi citado em investigações da Polícia Federal nas operações Castelo de Areia, mas nega qualquer envolvimento.
- Para parte do eleitorado, ele não é confiável.Até o eco-empresário Guilherme Leal, vice na chapa de Marina Silva (PV), pode causar dor de cabeça. Os especialistas dizem que sua inexperiência política pode comprometer seu desempenho caso Marina vença o pleito. Os verdes também não esperam que Leal atraia votos, mas desejam que ele traga dinheiro.
Martins Júnior lembra que por ser um dos empresários mais ricos e bem sucedidos do Brasil, ele poderá garantir a contribuição financeira de muitos empresários. Ele mesmo já admitiu que sacou da própria conta corrente mais de R$ 1 milhão para investir na campanha.
- Ter alguém com bom trânsito entre o empresariado ajuda a captar mais dinheiro.
Ele lembra que é obrigação do cabeça de chapa ter carisma e identificação partidária. Já ao vice fica a função “estratégica de conformar uma coligação que dê forças e ajude na competição eleitoral”. Custe o que custar.
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