27 de Maio de 2012
PT teria contratado arapongas para levantar informações comprometedoras do tucano
O caso do suposto dossiê veio à tona em reportagem publicada pela revista Veja no fim de maio. A publicação revelou um encontro ocorrido no mês de abril em um restaurante de Brasília, o Fritz, do qual participaram integrantes do comitê da pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
Durante a reunião, arapongas teriam sido sondados para trabalhar em uma central de espionagem no interior do comitê petista. O grupo teria como objetivo monitorar colaboradores da pré-campanha suspeitos de vazar informações e investigar adversários políticos, entre eles o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e o deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). No caso de Serra, estaria sendo preparado um dossiê para atingi-lo por meio dos negócios de sua filha, Verônica.
Pelo lado petista, foram ao restaurante Fritz o consultor Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, empresa responsável por contratar os profissionais para a assessoria de imprensa da pré-campanha, o jornalista Amaury Ribeiro Junior e o empresário Benedito de Oliveira Neto, proprietário da empresa Dialog.
O jornal O Estado de S. Paulo, em outra reportagem, revelou que os ex-agentes que participaram do encontro foram o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Sousa e o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, recém-saído do Cisa (serviço secreto da Aeronáutica).
Após a divulgação do caso, os candidatos trocaram acusações. Serra disse que a adversária era a responsável pela espionagem, e Dilma respondeu dizendo que a suspeita não passava de uma "falsidade".
As versões sobre o que foi tratado na reunião são diferentes. Segundo Onézimo, os representantes do comitê petista, que falavam em nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da pré-campanha e amigo pessoal de Dilma, queriam montar um esquema de espionagem para investigar aliados que estariam vazando informações e também adversários. Pelo trabalho seriam pagas dez parcelas mensais de R$ 160 mil.Em entrevista ao R7, Lanzetta confirmou que esteve no restaurante, mas disse que foi o ex-delegado da PF quem fez uma proposta, que acabou negada. Após se ver no centro da polêmica, o empresário, que nega ter tentado contratar arapongas, decidiu se afastar do comitê da pré-campanha.
O PT nega qualquer responsabilidade. O presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, disse em várias ocasiões que Lanzetta não estava autorizado a falar em nome do comitê da pré-campanha, já que não integrava seu núcleo oficialmente. Em nota, a legenda e a coordenação da pré-campanha garantem jamais ter "autorizado, orientado, encomendado, solicitado, ordenado ou tomado conhecimento de qualquer ação dessa natureza".
O PSDB recorreu ao MPF (Ministério Público Federal) e ao MPE (Ministério Público Eleitoral) para pedir investigações. Além disso, protocolou requerimentos para convidar Onézimo e Dadá a falar na CCAI (Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência) do Congresso. O deputado Marcelo Itagiba recorreu à Polícia Federal e também pediu a apuração das denúncias.
O PT entregou também à PF um pedido de instauração de inquérito para apurar a suspeita de que o comitê da pré-campanha de Dilma teria obtido informações sigilosas sobre as finanças do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, o que foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo no último fim de semana.
A direção do partido foi à Justiça para interpelar Serra. Caso ele reitere suas acusações, o PT pretende processá-lo.
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