Veja no mapa onde ficam as linhas de transmissão que tiveram problemas e causaram o apagão
12 de Fevereiro de 2012
Técnico do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) confirmou que havia uma tempestade próxima ao sistema de Itaipu na noite de ontem
O coordenador do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Osmar Pinto Júnior, praticamente descartou nesta quarta-feira (11) que a queda de energia do sistema de Itaipu tenha sido causada por raios. Um estudo do Elat fez uma avaliação dos raios registrados na noite de terça-feira (10) ao longo da linha do sistema de Itaipu.
De acordo com Pinto, a conclusão do Elat, com base na Brasil Dat - rede de detecção de atividades atmosféricas brasileiras - e num sistema sofisticado desenvolvido pelo Inpe no final da década passada, indica que as chances de o blecaute ter sido causado por um raio são mínimas, apesar de ter havido tempestade no sul de São Paulo, próximo ao sistema de Itaipu.
Segundo relatório do Inpe, embora houvesse uma tempestade com muitos raios na região próxima a Itaberá no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 quilômetros da subestação e cerca de 10 quilômetros distantes de uma das quatros linhas de Furnas e a 2 quilômetros de uma das outras linhas que saem de Itaipu em direção a São Paulo.
A baixa intensidade da descarga (menor que 20 kA) não seria capaz de produzir um desligamento da linha, mesmo que incidisse diretamente sobre ela. Os dados afirmam que essas linhas estavam operando “com ótimo desempenho” no momento do apagão.
“Em geral, apenas descargas com intensidade superiores a 100 kA, atingindo diretamente uma linha, poderiam causar um desligamento de linhas de transmissão operando com tensões tão elevadas como as linhas de Itaipu (duas de 600 kV e duas de 750 kV)”, diz o relatório.
Ainda que não tenha relacionado diretamente as descargas elétricas ao blecaute, Pinto alertou para o aumento de raios causados pelas mudanças climáticas e sua repercussão na segurança do sistema elétrico brasileiro.
- O sistema de transmissão brasileiro é exposto às condições atmosféricas e climáticas. Portanto, levando em consideração as mudanças climáticas que estão acontecendo e que devem trazer como consequência mais raios para o Brasil, isso significa que, no futuro, os sistemas vão estar mais vulneráveis às condições climáticas, com aumento de raios, o que traz uma preocupação muito grande. Portanto, é necessário e fundamental que o Brasil invista em pesquisa e tecnologia para que o sistema possa estar preparado para as mudanças climáticas que estão vindo por aí.
O governo ainda não indentificou a causa do blecaute que atingiu o país ontem. O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse em entrevista ao programa Hoje em Dia, da TV Record, que há indícios de que o mau tempo e fortes ventos, próximo à subestação de Itaberá, em São Paulo, tenham provocado o blecaute. Os problemas meteorológicos, ainda segundo ele, causaram problemas em três linhas de transmissão que recebem energia da hidrelétrica de Itaipu.
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