27 de Maio de 2012
Criadores e produtores contam o que é preciso para fazer uma música eleitoral de sucesso
Mais do que músicas com letras fáceis e "pegajosas", os ritmos que embalam as campanhas eleitorais são e "grudam" na cabeça das pessoas são verdadeiras armas usadas pelos candidatos para se aproximar do eleitor. Para atrair a atenção do eleitorado, a música precisa ter boa melodia e trazer a essência de cada político, segundo criadores e produtores de jingles consultados pelo R7.
O produtor Paulo de Tarso conta que as músicas precisam apelar para o lado emocional do eleitor e não são o meio adequado para apresentar plano de governo. Tarso participou da criação do famoso "Lula lá", que embalou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, quando Lula perdeu para Fernando Collor. Hoje, ele é diretor de criação de uma empresa de jingles políticos que presta serviços para a campanha de Marina Silva (PV).
- Jingle não é nada além de algo para falar da emoção, da alma, do conceito humano do candidato. Não é lugar para passar programa de governo. Desde o “Lula lá” que percebemos que isso é uma bobagem. O jingle não tem compromisso necessário com a plataforma de ideias, mas com a emoção, o que é um compromisso enorme.
O processo de criação dos jingles envolve diretamente o candidato ou a coordenação da campanha, que precisa passar aos produtores um resumo das ideias e o perfil dos candidatos. Depois, tem que ser escolhido o ritmo da música, que também deve estar de acordo com a imagem do político.
Nando Pinheiro, diretor da produtora AudioFive, estima que um jingle bem feito pode representar mais de 60% da influência de uma campanha na decisão dos eleitores.
- Muitas vezes, o candidato ganha não é nem pela proposta, pela campanha, mas por um jingle bonito, que a pessoa se identificou. Na minha opinião, um jingle bem feito é de 60% a 70% de uma campanha.
Os criadores concordam que o sucesso do jingle depende do quanto ele está adequado ao candidato e à região onde será utilizado. Maurício Grassmann, do Estúdio Frequência Rara, afirma que é fundamental que o eleitor se identifique com a canção.
- Os estilos preferidos variam de região para região, a menos que seja a campanha à presidente. Saber o estilo que agrade mais em algumas áreas é muito importante. Basicamente o que você tem são músicas alegres, ritmos rápidos, que tenham frases que peguem o ouvinte.
Outro ponto ao qual os criadores de jingle devem estar atentos é a objetividade. As músicas de maior sucesso são as que transmitem mensagens curtas e diretas. É o caso do eterno hit do candidato José Maria Eymael (PSDC), que transcende os períodos de campanha e se tornou conhecido no país inteiro. O criador do sucesso, José Raimundo de Castro, conta como o jingle foi criado.
- Esse jingle foi feito no começo de 86. O nome José Maria era muito difícil para as pessoas guardarem. A música serviu para ensinar o nome Eymael. O jingle foi para o ar e, no dia seguinte, as pessoas já sabiam cantar.
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Colaborou Érica Saboya, estagiária do R7
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