27 de Maio de 2012
Tribunal de SP quer mais informações para decidir sobre quebra de sigilo de tesoureiro do PT
A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira (11) o pedido de bloqueio das contas da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), solicitado na última sexta-feira pelo Ministério Público de São Paulo.
O promotor José Carlos Blat havia pedido ainda a quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, mas a Justiça resolveu pedir mais esclarecimentos ao Ministério Público antes de decidir sobre essa solicitação.
As informações são do advogado de Vaccari Neto, o criminalista Luiz Flávio D'Urso. O R7 não conseguiu entrar em contato com o Tribunal de Justiça de São Paulo na noite desta quinta para obter mais detalhes da decisão.
Blat havia feito os pedidos durante a investigação de um suposto esquema de desvio de dinheiro na direção da Bancoop, da qual Vaccari Neto era presidente.Blat fez uma análise parcial de 8,5 mil extratos bancários da cooperativa, relativos ao período de 2001 a 2008. Ele está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT - mas não aponta valores exatos que teriam tomado esse rumo porque, alega, depende de investigações complementares.
Vaccari nega as acusações de que dinheiro da entidade tenha ido para campanhas eleitorais de seu partido, responsabiliza os próprios cooperados por não terem obtido as chaves dos imóveis que adquiriram e que houve apenas "desequilíbrio financeiro".
Procurado pela reportagem na noite desta quinta para comentar a negativa da Justiça, Blat afirmou que ainda não foi comunicado da decisão e que, por isso, não poderia se manifestar.
Na última terça-feira, D'Urso disse que o bloqueio das contas da instituição impediria o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre a Bancoop e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 2009. O documento estabelece regras e prazos para a conclusão de obras e entrega de imóveis para os cooperados.
Na petição, D'Urso pediu também a redução do período de abrangência da quebra de sigilo bancário pedido por Blat.
- Não há oposição à quebra de sigilo, desde que ela se limite ao período da investigação, de 2003 a 2005. De 2003 até hoje não dá.
Segundo o criminalista, Vaccari afastou-se em 2007 da presidência da Bancoop e não atuou de forma direta na cooperativa a partir de então.
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), disse que a investigação é uma "articulação política mal engendrada".
Blat, por sua vez, disse que "não está investigando membros ou líderes do PT", porque não é sua atribuição. Por isso encaminhou à Procuradoria Eleitoral documentos que revelam elo da Bancoop com o PT.
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