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publicado em 30/04/2010 às 12h58: atualizado em: 30/04/2010 às 14h02

Justiça ouve testemunhas de acusação no
julgamento do último réu do caso Dorothy

Regivaldo Galvão é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária

Do R7

A Justiça do Pará ouviu na manhã desta sexta-feira (30) testemunhas de acusação do julgamento do último réu da morte da missionária Dorothy Stang, o fazendeiro Regivaldo Galvão. Ele é acusado de ser um dos mandantes do crime.

Roberta Lee Spires, conhecida como “irmã Rebeca”, foi a primeira a ser ouvida. Ela falou sobre o trabalho de Dorothy e as denúncias de irregularidades fundiárias na região de Altamira feitas pela missionária, que envolviam fazendeiros, inclusive Regivaldo.

Em seguida, foi ouvido o ex-funcionário do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Altamira Bruno Lourenço Kempner, que contou sobre os trabalhos que a missionária queria implantar em favor dos colonos.

O terceiro a ser ouvido foi o delegado da Polícia Federal, Ualame Machado, que atuou no inquérito sobre o assassinato da missionária. Ele detalhou as investigações, inclusive quando os suspeitos do crime falaram sobre a promessa de recompensa (R$ 50 mil).

Outras duas testemunhas foram dispensadas pela acusação.

Acompanham o julgamento o representante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Fernando Mattos, e a agente consular da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Christine Moore Serrão.

Regivaldo ainda não foi julgado porque recorreu em instâncias superiores contra a decisão de ser submetido a júri popular. O julgamento não tem previsão para acabar, mas a expectativa é que dura até a madrugada. Por sorteio, os jurados são cinco homens e duas mulheres. Próximo ao tribunal, manifestantes prepararam acampamento para acompanhar o júri.

O promotor do caso é o mesmo do julgamento de Vitalmiro Moura, conhecido como Bida. Também acusado de ser um dos mandantes do crime, o fazendeiro Bida foi condenado a 30 anos de cadeia no último dia 12.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu (PA), a 374 km de Belém. As investigações do crime indicaram que Bida seria o mandante do homicídio e o primeiro julgamento dele, em 2007, o condenou a 30 anos de cadeia. A pena permitiu ao fazendeiro ter um novo júri popular, e ele conseguiu a absolvição. A segunda sentença foi anulada e o terceiro julgamento deveria ter ocorrido no dia 31 de março, mas foi adiado devido à ausência dos advogados de defesa.

Até agora, foram condenados Rayfran das Neves, que cumpre pena de 28 anos de prisão, Clodoaldo Batista, condenado a 17 anos, Amair Feijoli, a 18 anos e Vitalmiro Moura.

 

 
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