Arquivo/Agência Estado 28.03.2006"A programação deveria acabar às 16h, mas ela ainda estava lá quando aconteceu o terremoto, às 17h"
27 de Maio de 2012

Rogério fala do último Natal dela em família e da médica como mãe e avó
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Confira, abaixo, trechos da entrevista:
A tragédia:
“A programação estava toda planejada, mas quando se chega a uma comunidade, as coisas mudam de última hora. Minha mãe estava em uma igreja fazendo sua palestra ao lado de um militar que traduzia o que ela dizia. A programação deveria acabar às 16h, mas ela ainda estava lá quando aconteceu o terremoto, às 17h...”
Haiti:
“Ela fez planos para o Haiti. Minha mãe já tinha ido anteriormente pra lá, e agora voltou porque queria fortalecer as ações da Pastoral com as crianças de lá. Já havia um embrião formado. Ela estava na praia com a família, mas precisou deixar tudo e ir para o Haiti porque ela sabia que o povo de lá precisava.”
Natal em família:
“A previsão da família era ir para a praia logo depois do Natal, mas ela foi no dia 22, mais cedo. Ficou o Natal e o Ano-Novo. Ela estava extremamente contente com a família reunida.”
A mãe:
"Como mãe, ela também era muito engajada. Ela se preocupava com os detalhes. No Natal e no Ano-Novo na praia, ela era quem fazia a compra do supermercado, preparava o peixe, ia para a cozinha cuidar de tudo. Ela queria ser uma pessoa presente sempre. Ela era bem matriarca."
A avó:
"Ela era a vozona dos [dez] netos. Meus dois filhos eram apaixonados porque ela estimulava atividades, brincava e cantava com eles. Com ela, o mundo era lúdico."
A viagem:
“Ela não queria deixar a família, mas estava preocupada com seu discurso no Haiti. Então ela voltou para Curitiba na quinta-feira (6) à tarde. Deixou tudo pronto e foi para o Haiti no domingo bem cedo.”
A despedida:
“Eu encontrei com ela em casa na quinta. Saí do carro, dei a volta por trás dele e conversamos um pouco. Eu perguntei se ela precisava mesmo viajar para o Haiti no meio das férias. Ela falou que também não queria deixar a praia, mas que a viagem era importante porque essa era a missão dela. Ela sempre falava disso... Foi quando nos despedimos.”
A Pastoral sem Zilda Arns:
“Ela planejou tudo para que a Pastoral continuasse caminhando sem ela. No começo de tudo, sua preocupação era que as ações pelas crianças acontecessem em campo, com os lideres comunitários. A Pastoral continua suas atividades, mas é claro que a perda é grande porque ela era uma inspiração. Ela animava muito as comunidades, mas sabia que não seria eterna.”
Substituto:
“Ela sempre dizia que ninguém substitui ninguém, as pessoas se sucedem. A incógnita é quanto ao futuro da Pastoral fora do Brasil, porque ela tinha uma autoridade moral diante de entidades e da Igreja lá fora.”
Homenagens:
“A gente tem um grupo de amigos que está ajudando a organizar as homenagens, mas ela era simples e só gostava de ser lembrada pelo trabalho. Também vai ter uma missa, que era a vontade dela.”
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