Ricardo Stuckert/Instituto LulaLula conversa com médico no Sírio-Libanês, em São Paulo, onde começou hoje as sessões de radioterapia
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou nesta quarta-feira (4), pouco antes das 17h, o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele fez hoje sua primeira sessão de radioterapia, seguida de um novo ciclo de quimioterapia. O tratamento é realizado para combater um tumor na laringe descoberto no fim de outubro.
Entenda o tratamento de Lula
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Lula, que tem 66 anos, deixou o hospital por uma porta lateral, evitando o contato com a imprensa. Quando chegou ao local, ainda pela manhã, ele usou a mesma estratégia para despistar os jornalistas presentes. O ex-presidente foi ao Sírio-Libanês sozinho, sem a companhia da mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
Em boletim médico divulgado às 16h45, o hospital informou que, “conforme programado anteriormente”, Lula iniciou “o tratamento combinado de radio e quimioterapia de maneira ambulatorial”.
De acordo com o Sírio, “as sessões de radioterapia se realizarão diariamente, de segunda a sexta-feira”. Por esta razão, Lula deve voltar ao hospital nesta quinta-feira (5). Esta etapa do tratamento deve durar entre seis e sete semanas.
A equipe que o acompanha é formada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, João Luís Fernandes da Silva, Luiz Paulo Kowalski e Rubens de Brito Neto.
Tratamento
Além de iniciar a radioterapia, segunda etapa do tratamento oncológico, Lula fez hoje sua quarta sessão de quimioterapia. Esta, porém, foi mais branda que as três anteriores. Em dezembro, uma bateria de exames constatou que o tumor do ex-presidente, que originalmente tinha entre dois e três centímetros de diâmetro, foi reduzido em 75%. Até o momento, a hipótese de cirurgia está descartada.
De acordo com a assessoria do ex-presidente, a sessão de radioterapia foi rápida e durou cerca de 15 minutos. Lula chegou às 10h42 por um acesso especial e foi direto realizar os exames preparatórios. Durante as sessões, o ex-presidente permanecerá deitado por 10 a 12 minutos no aparelho de radioterapia. A cabeça será imobilizada para garantir que a radiação atinja a região a ser tratada. A radiação deve abranger, além do tumor na laringe, os gânglios próximos.
Os efeitos colaterais mais comuns desse tipo de procedimento são mucosite (inflamação na mucosa oral), vermelhidão, escamação e inchaço na região do tratamento. Devido às pequenas úlceras que podem surgir, o paciente sente dores e dificuldade na deglutição. Com dificuldade para engolir, algumas pessoas emagrecem e passam a se alimentar por sonda. Lula já teve mucosite durante a quimioterapia, além de queda de cabelo e fadiga, efeitos colaterais considerados normais.
Para evitar o agravamento dos efeitos da radioterapia na boca e na garganta, o ex-presidente será acompanhado por dentistas. Uma nutricionista também foi escolhida para garantir uma dieta compatível com o tratamento radioterápico. A equipe será coordenada pelo médico João Luís Fernandes, coordenador do Serviço de Radioterapia do Sírio-Libanês.
Os médicos esperam que Lula finalize a radioterapia na semana que antecede o Carnaval e os desfiles das escolas de samba de São Paulo. Homenageado da Gaviões da Fiel, o ex-presidente pretende desfilar na segunda noite da festa paulistana.
Leia a íntegra do boletim médico divulgado pelo Sírio-Libanês
“O Ex-Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, esteve hoje (04/01), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, conforme programado anteriormente, para dar início ao tratamento combinado de radio e quimioterapia de maneira ambulatorial.
As sessões de radioterapia se realizarão diariamente, de segunda a sexta-feira.
A equipe médica que assiste o Ex-Presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, João Luís Fernandes da Silva, Luiz Paulo Kowalski e Rubens de Brito Neto.”
Assista ao vídeo: