Remy de la Mauviniere/APGoverno escolheu caça francês, mas a Aeronáutica preferia a opção sueca
8 de Fevereiro de 2012
Presidente bateu o martelo depois que franceses baixaram o preço
O valor corresponde à compra de 36 aviões. Apesar de levar a disputa, o Rafale ficou em último lugar em um relatório técnico da FAB, que colocou o caça sueco Gripen no topo da lista seguido pelo modelo americano F-18.
Além de ficar na rabeira do ranking, a redução do preço dos aviões franceses não foi suficiente para superar as outras propostas. Enquanto o preço do modelo sueco era de US$ 4,5 bilhões, o dos EUA era de US$ 5,7 bilhões.
Em entrevista ao R7 no mês passado, o especialista Gunter Rudzit, coordenador do curso de relações internacionais da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e doutor em ciências políticas pela Georgetown University, já adiantava a tendência do governo em escolher os caças da França.
Ele disse que tudo indicava que a licitação para a escolha da aeronave foi “dirigida” para que os franceses saíssem vencedores.
Rudzit afirmou que são ocultos os verdadeiros motivos que levaram o governo federal a escolher a opção francesa. Ele não acredita na promessa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de transferir a tecnologia dos caças para o Brasil.
- O custo de desenvolvimento do Rafale é de 39 bilhões de euros. O Brasil vai comprar os aviões por cerca de 1 bilhão e receber toda a tecnologia de graça? Economicamente não faz sentido.
Ele disse ainda que o governo deveria fazer como a Índia, que está diversificando os fornecedores de tecnologia militar para melhorar a diplomacia e evitar que o Brasil fique militarmente dependente de um único país.
Leia aqui a entrevista completa.
A escolha do modelo Rafale já tinha sido sinalizada pelo presidente Lula, que em setembro de 2009 afirmou que que França era o "único país importante disposto a discutir a questão da transferência de tecnologia".
Lula disse ainda que negociações para compra dos Rafale estavam "muito avançadas".
Os rumores aumentaram ainda mais durante visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Brasil no dia 7 daquele mês (dia da Independência), que os governos brasileiro e francês anunciam em comunicado conjunto sobre a "decisão de entrar em negociações com o GIE Rafale para a aquisição de 36 aviões".
O episódio, que causou mal-estar com as empresas concorrentes, obrigou o governo a recuar e dizer que processo para a compra dos caças ainda não estava concluído.
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