27 de Maio de 2012

Presidente desautoriza ministros que disseram ontem que o assunto já estava encerrado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu como encerrado nesta sexta-feira (13) o episódio do apagão. Ele disse que é preciso um processo de investigação para que se "descubra realmente o que é que houve" e se há ''coisa além'' no caso do apagão, que deixou 18 Estados do Brasil e parte do Paraguai no escuro por 6h na última terça-feira. O presidente voltou a afirmar que o sistema elétrico é robusto, mas disse que nada é tão bem estruturado que possa suplantar efeitos de "intempéries ou falha humana que não sabemos ainda".
Ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disseram que o caso estava encerrado. Hoje, Lula disse que em um incidente como o apagão existem três fases, sendo a primeira fase da "turma do eu acho" e quando terminar esta fase a investigação vai entrar na fase mais objetiva, que são os resultados concretos.
- Eu não falei nada porque primeiro tinha de ouvir as pessoas que cuidam disso. Nós temos o Inpe, a Aneel, ONS, o Ministério de Minas e Energia e eu só posso trabalhar com as informações técnicas que eles me dão. E, assim, acreditar que seja possível um processo de investigação para que a gente saiba se tem coisa além do que eles me colocaram, que foi por conta das intempéries. [..] Acho que o caso, na minha opinião, foi muito delicado. [...] Aconteceu um blecaute.
Lula disse que o brasileiro não terá problema de geração de energia e que o resultado das investigações - conduzidas por Furnas, Aneel e ONS - serão apresentados quando houver um relatório que não seja precipitado.
- É preciso que a gente faça tudo que tem de fazer para apresentar um relatório que não seja precipitado. (..) Tem gente que fala que foi energia demais em Itaipu. Outros falam que foi falta de cuidado, erro humano, ou ainda que foi raio. Vamos ver se foi. Em algum momento nós vamos dizer para o país: olha, foi isso, isso e isso, é definitivo ou o que os companheiros já falaram estava correto.
Para o presidente, o sistema é robusto e existe geração de energia à vontade, mas que espera uma "apuração muito correta" para explicar o porquê do '"desastre" para a população brasileira. O presidente disse que a única chance de não acontecer coisa alguma nesse país é se Deus quiser que não acontença.
- Fora de Deus, os seres humanos estão todos sujeitos a erros e coisas que eles não controlam.
Lula descartou sabotagem no apagão - que também classificou de ''grave" - e disse que tem visto algumas pessoas com ar de satisfação ao falar do apagão, com o "mesmo prazer culpando o governo pelo acidente da TAM''. O acidente aconteceu em julho de 2007 e matou 199 pessoas.
- Eu sou um homem que gravo muitas coisas. Tenho notado algumas pessoas falando do apagão com o mesmo "prazer" que culpavam o governo no caso do acidente do avião da TAM, no aeroporto de Congonhas. Escreveram nas primeiras páginas que o governo poderia carregar 200 mortos nas costas e depois jogaram a culpa na Infraero. Ou seja, até que a verdade foi aparecendo, aparecendo e prevaleceu que foi uma falha humana.
Perguntado se foi pego de supresa na noite do apagão, na terça-feira, Lula respondeu:
- Quem é que não foi pego de surpresa? Todo mundo. Eu não fui pego de surpresa porque na minha casa não faltou luz, mas quem estava em casa foi pego de surpresa.
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