27 de Maio de 2012
Mário Negromonte vai entregar carta de demissão a Dilma nesta quinta-feira
O ministro das Cidades, Mário Negromonte, comunicou nesta quarta-feira (1º) a integrantes do PP, seu partido, que vai apresentar sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff nesta quinta (2), quando ela retorna ao Brasil após uma viagem a Cuba e Haiti. De acordo com o deputado Vilson Covatti (PP-RS), a legenda pretende deixar para Dilma a escolha do substituto.
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Covatti disse que Negromonte está determinado a deixar o ministério que comanda desde o início do atual governo mesmo após receber o apoio do PP. Segundo o deputado, a bancada ainda tenta convencê-lo a repensar a decisão.
- A noite em Brasília é longa e estamos tentando fazer com que ele tome uma decisão apenas na semana que vem, quando os deputados estiverem na cidade. Foi uma iniciativa de foro íntimo. No final do ano fizemos o acordo de fortalecimento ao líder e a ele, com 38 assinaturas. O fogo amigo continuou, daquela meia dúzia de caras que são contra o governo, contra o próprio ministro. Na verdade, são dois ou três que nunca aceitaram que participássemos do governo, fazendo um desserviço. Isso vai sangrando, vai criando um desconforto.
Covatti revelou que o ministro tem uma reunião marcada com a presidente às 11h desta quinta. A assessoria de imprensa da pasta, porém, não confirma a informação. Questionado sobre substitutos, o parlamentar disse ao R7 que a bancada prefere não citar possíveis nomes para a vaga e que se reunirá no Congresso com o ministro, às 9h desta quinta.
- Amanhã vamos ao presidente [do partido] Francisco Dornelles para ter uma orientação partidária. A minha opinião é que todos os deputados e senadores estejam à disposição da presidente. Não admitimos perder o ministério. Qualquer indicação de nome seria precipitado. A presidente é quem tem de escolher.
Entenda o caso
A saída de Negromonte já era esperada desde que o volume de denúncias contra ele começou a aumentar, no ano passado. A primeira suspeita sobre o ministro das Cidades surgiu em agosto de 2011, quando a revista Veja publicou reportagem em que ele era acusado de oferecer R$ 30.000 a deputados de seu partido em troca de apoio para que não perdesse a influência dentro do PP. O caso, segundo a publicação, chegou ao gabinete da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e, consequentemente, ao da presidente.
No mesmo mês, a revista Isto É revelou que a principal patrocinadora da campanha de Negromonte para a Câmara dos Deputados foi beneficiada em um contrato com a Petrobras que o TCU (Tribunal de Contas da União) considerou irregular.
No fim de novembro, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apontou que o ministro teria dado aval para que a diretora de mobilidade da pasta, Luiza Vianna, forjasse um documento que adulterou um parecer técnico para autorizar a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Cuiabá (MT), uma das sedes da Copa de 2014, onde originalmente haveria uma linha rápida de ônibus.
Nas últimas duas semanas, outras duas denúncias vieram à tona por meio do jornal Folha de S. Paulo. A primeira reportagem indicava a realização de reuniões entre lobistas de uma empresa de informática e parlamentares aliados de Negromonte para negociar a vitória em uma licitação da pasta que sequer estava aberta.
No último domingo (29), a Folha publicou um documento em que o ministro pedia ao Ministério do Turismo que beneficiasse com recursos de uma emenda parlamentar de sua autoria o município baiano de Glória, administrado por sua mulher, Ena Vilma.
Corda bamba
Apesar da sucessão de denúncias, o ministro das Cidades chegou a dizer que estava “mais firme do que as pirâmides do Egito”. No entanto, seu monumento começou a ruir na última semana, quando seu braço direito, o chefe de gabinete Cássio Peixoto, foi exonerado. Na segunda (30), Negromonte perdeu mais um aliado: o chefe da assessoria parlamentar do Ministério, João Ubaldo Coelho Dantas.
Após as quedas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ele percebeu que não havia mais terreno para sua permanência e colocou seu cargo à disposição de Dilma quando a encontrou na Bahia, na segunda.
Dilma já tem em mente uma lista de possíveis substitutos de Negromonte, com destaque para o atual líder do partido na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, aliado do ex-ministro das Cidades Márcio Fortes.
Fortes, aliás, é o preferido de Dilma para o cargo. Ele, que já chefiou o Ministério das Cidades durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje comanda a APO (Autoridade Pública Olímpica).
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