Elas só puderam votar a partir de 1932 e ainda são minoria entre os políticos. Não acham que sofrem preconceito, mas encaram cobranças muito mais relacionadas com a imagem – roupa, cabelo, sapato e gestos – do que com o trabalho e as escolhas que fazem no cargo que ocupam. O
R7 entrevistou algumas dessas mulheres que desbravaram o mundo da política e, cada uma a sua maneira, ainda lutam para provar que a imagem feminina não interfere no mandato de deputada, senadora, prefeita etc.
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) afirma que, muita vezes, as ações passam despercebidas e dão lugar a um debate sobre a imagem.
- Senti mais preconceito quando fui prefeita. Estavam [a mídia] preocupados em saber que sapato eu usava, que cabelo tinha. Se você é mulher e está sempre arrumada, [é porque] você vai sempre ao cabeleireiro. Se está desarrumada, está em depressão. Nunca está bom.
Subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS) concorda com Marta e diz que muitas vezes o fato de ser mulher abre “brechas” para questões que normalmente não são colocadas aos homens.
- Por ser mulher, não [senti preconceito]. Na verdade na Câmara [Legislativa de São Paulo, quando foi vereadora] tive uma série de outros problemas. Muito mais de jeito, a maneira de me vestir, de me expressar, as coisas que defendia. O fato de ser mulher vira um bom pretexto para os golpes baixos.
Soninha afirma que, muitas vezes, as mulheres sofrem com brincadeiras e ofensas no meio político.
- Abre margem pra um determinado tipo de sacanagem, brincadeirinhas, ofensas, que não teria se eu fosse homem. Se for a Marta vão dizer que é perua, o jeito que ela se veste não tem nada a ver como ela é como prefeita. Dificilmente alguém fala de como um homem se veste, e tem homens muito vaidosos.
A deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) concorda que as mulheres são vítimas de “chacotas” entre os políticos.
- Todas as mulheres da bancada feminina vivenciam, em rodinhas fechadas, parlamentares fazendo piadinhas.
Pivô de uma discussão com o deputado federal Clodovil Hernandes em 2007, quando Clodovil a chamou de “feia” e provocou um bate-boca, a deputada afirma que nunca foi alvo de preconceito, mas diz que as mulheres não são respeitadas como deveriam.
- Pessoalmente não houve [preconceito], o que houve sempre foram atitudes desrespeitando as mulheres de forma geral, não apenas a mim. Mas desmoralizando a mulher, considerando a mulher como se fosse objeto, desconsiderando o potencial intelectual da mulher, profissional.
Marta, que foi casada com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), conta que não sentiu dificuldades no início de sua carreira política, já que era apresentadora de televisão. Para ela, é preciso ser firme para conseguir seguir na “profissão”.
- Você precisa ser duplamente firme. Se não for firme, fazem picadinho de você.