23 de Fevereiro de 2012
Depois do chefe de gabinete, assessor parlamentar é exonerado das Cidades
Um dia após ser alvo de novas denúncias de irregularidade, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, perdeu o segundo homem de confiança em menos de uma semana. A exoneração do chefe da assessoria parlamentar do Ministério, João Ubaldo Coelho Dantas, assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann, foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (30).
Ministro das Cidades favoreceu cidade em que sua mulher é prefeita, diz jornal
Dantas, filho do ex-prefeito de Itabuna (BA) e amigo de Negromonte, Ubaldo Dantas, era responsável por viabilizar as políticas da pasta junto ao Congresso Nacional. O Ministério ainda não informou o motivo da exoneração.
Na última quarta-feira (25), o chefe de gabinete da pasta, Cássio Peixoto, havia sido exonerado. A justificativa dada pelo Ministério em nota foi a de que o servidor estava “desmotivado”. Peixoto, no entanto, estava envolvido no caso de uma obra da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá (MT) que ficou mais cara após a alteração de um parecer.
Neste domingo, o jornal Folha de S. Paulo trouxe mais uma denúncia para a coleção de histórias mal explicadas do ministro. De acordo com a reportagem, em 2011, Negromonte enviou um ofício ao então ministro do Turismo, Pedro Novais, informando-lhe que os R$ 100 mil reservados do Orçamento daquele ano para uma emenda parlamentar de sua autoria deveriam ser destinados ao município de Glória (BA), do qual sua mulher, Ena Vilma Negromonte, é prefeita.
Afago
Nesta segunda, a presidente Dilma Rousseff citou o ministro diversas vezes em tom elogioso, durante discurso na cerimônia de emissão da ordem de serviço de início das obras de Urbanização Integrada da Bacia do Rio Camaçari (BA).
Ao falar à população do estado em que Mário Negromonte mantém sua base eleitoral, Dilma o destacou mais que aos outros cinco presentes no evento. "Vou começar cumprimentando o ministro Mário Negromonte, que no meu governo tem sido responsável pela política de urbanização de favelas, habitação, saneamento e proteção de encostas", disse.
No entanto, a possibilidade de Negromonte ser o próximo a ser cortado do governo já é avistada desde o ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias contra o ministro. E lideranças do PP já estão se articulando para indicar o substituto ao Planalto.
Em entrevistas recentes, porém, o ministro disse que não irá pedir demissão e que está “mais firme do que as pirâmides do Egito”, repetindo o tom autoconfiante utilizado por outros ministros que acabaram caindo, como Wagner Rossi (Agricultura) e Carlos Lupi (Trabalho).
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