27 de Maio de 2012
PF apreendeu mais cocaína e menos maconha no país em 2009
Embora tenha aumentado o número de apreensões de cocaína no Brasil nos últimos dois anos, conforme mostra relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta quarta-feira (23), ainda não é possível avaliar se o consumo da droga no país. Isso porque, os últimos dados oficiais sobre o uso de entorpecentes no país são de 2005.
Ao apresentar o relatório mundial sobre tráfico de drogas, em Brasília, o representante da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) no Brasil, Bo Mathiasen, elogiou o trabalho da Polícia Federal, mas lamentou a defasagem nos números brasileiros.
- São dados positivos, de um trabalho exitoso em desarticular redes e organizações criminosas que estão fazendo o tráfico [...]. Mas é preciso ter mais dados concretos para analisar o consumo e ver se o tráfico apenas passa pelo país ou serve também para alimentar mais o uso interno.
Baseado nas respostas dos questionários encaminhados a 192 países, o relatório tem como objetivo revelar as tendências mundiais sobre o consumo e o comércio de drogas, em um documento com 313 páginas.
O coordenador nacional de combate ao tráfico de drogas da Polícia Federal, Oslain Santana, criticou a abordagem do relatório que, para ele, traz uma visão "americana e europeia" sobre o problema.
O documento chama a atenção para o fluxo maciço de cocaína e maconha que saem da América Latina para países do Hemisfério Norte, como Estados e Europa, os maiores consumidores das drogas, mas não o fluxo inverso de drogas sintéticas.
- O relatório não menciona a rota do tráfico de drogas sintéticas vindas da Europa e dos Estados Unidos para o Brasil. É uma visão americana e europeia.
A produção da cocaína se concentra nos países andinos (principalmente Colômbia, Peru e Bolívia), que a vendem aos maiores mercados consumidores (EUA e Europa) passando pelo país. Mas, entre os países da América Latina, o Brasil repassa apenas 10% da produção. Já a Venezuela é porta de passagem para 51% da droga exportada para outros continentes, o Caribe 11% e a própria Colômbia 5%.
O general Paulo Roberto Uchôa, que dirige a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), diz que a participação do Brasil no tráfico internacional de cocaína preocupa, e se justifica pela dimensão e a localização diferenciada do país.
- O Brasil tem uma posição única, [porque] tem fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo e com o segundo maior produtor de maconha do Hemisfério Sul, que é o Paraguai. São 9.000 km de fronteira terrestre e um imenso litoral com acesso aos mercados consumidores.
Ele lamenta ainda o fato de que essa característica deixe um "rastro" de consumo da droga no país. Segundo os últimos dados do governo, de 2005, 900 mil pessoas usaram a droga no ano anterior.
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