12 de Fevereiro de 2012
Especialistas dizem que questões programáticas ficam em segundo plano nas candidaturas de famosos
O fenômeno de artistas e esportistas entrando na política não é novo. Celebridades - e pessoas nem tão famosas assim - são procuradas pelos partidos por sua capacidade de transformar carisma em votos. Especialistas ouvidos pelo R7 dizem que, em meio a uma multidão de candidatos que confunde os eleitores, um nome conhecido pode atrair atenção e conquistar votos para a legenda. Mesmo que esse nome não tenha qualquer afinidade ideológica ou programática com o partido.
O cientista político e pesquisador da Universidade de Brasília Leonardo Barreto diz que, devido ao grande número de candidatos, é impossível para a população avaliar todos.
- Na confusão, um nome familiar, alguém de uma banda que fez uma música que o eleitor gosta, que jogou no time que ele torce, pode conseguir o voto.
O cientista político e professor da Fesp-SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) José Paulo Martins Júnior diz que a questão ideológica e programática fica em segundo plano, o que permite a entrada no partido de qualquer pessoa que possa angariar votos.
- Os partidos preferem ganhar as eleições, não importa a ideologia.
Leonardo Barreto lembra o caso de Romário, que no ato de sua filiação ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), confundiu o nome do partido, afirmando que era uma grande honra "entrar para o PSDB" (Partido da Social Democracia Brasileira).
Martins Júnior destaca que a grande maioria dos famosos não é eleita. E nem é essa a intenção dos partidos. Como os votos de todos os candidatos vão para a legenda - ou coligação - para posteriormente serem divididos, as celebridades ajudam a sigla mesmo que não se elejam.
- No mínimo, [o famoso] é um bom puxador de votos.
Barreto diz que, em um sistema de votação de lista fechada - quando o eleitor vota no partido, que escolhe internamente a ordem dos candidatos que assumirão -, o fenômeno dos famosos na política provavelmente seria menor. Eles poderiam continuar sendo bons puxadores de votos, mas dificilmente conseguiriam com os partidos bons lugares na lista, o que inibiria as candidaturas.
- Não sei se eles aceitariam concorrer com os nomes nos últimos lugares na lista.
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