Os passageiros dos trens na estação da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, tiveram que sair dos vagões às 22h30 e ficaram a deriva em meio ao terminal lotado. Era o apagão elétrico, mas poucos conseguiam entender o que os abafados auto-falantes queriam dizer.
A solução para alguns era sentar e esperar pela volta da energia. Outros olhavam desconsolados pelas ruas congestionadas esperando por uma carona.
Táxi parecia inviável – entre as 22h45 e 23h30 não havia nenhum. Para outros o jeito era agarrar uma das filas para os ônibus, que chegavam a mais de 200 metros por volta das 23h. Gesto comum entre todos era buscar os celulares.
Inútil, pois as linhas telefônicas congestionadas funcionavam de maneira precária.
A maior aglomeração estava nas catracas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitano) e do Metrô. Quatro guardas da Polícia Ferroviária impediam que a multidão avançasse. Segundo os policiais, cerca de 20 homens estavam espalhados pelo terminal e nenhum registrou tumultos.
O balconista William Silva, morador do bairro Itaquera, zona leste de São Paulo, a cerca de 30 quilômetros do terminal da Barra Funda resolveu enfrentar a fila do ônibus. Saiu do trem da CPTM e não sabia para onde ir. Em meio ao empurra-empurra, repetia uma frase:
- Está um sacrifício isso aqui.
A calmaria retornou horas mais tarde. Por volta das 2h30, muitos deixaram a espera e resolveram dormir nos corredores da Bara Funda. Alguns ônibus cujo letreiro dizia “Especial” recolhiam os últimos passageiros. Os ônibus eram o
reforço enviado pela Secretaria Municipal de Transportes. William Silva já tinha embarcado e disse, por telefone, que estava quase chegando em casa.