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publicado em 27/07/2010 às 17h10:

Plínio defende mínimo de R$ 2.000
e redução da jornada de trabalho

Candidato do PSOL à Presidência disse que salário do Dieese é o "justo"

Do R7

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Trabalhar menos e ganhar mais. Para o candidato à presidência, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), o Brasil tem como oferecer R$ 2.000 de salário mínimo à população e redução da jornada de trabalho, atualmente em 44 horas semanais. As declarações polêmicas foram concedidas nesta terça-feira (27) durante sabatina do portal R7.

Assista à sabatina de Plínio no R7

 

- Justo é o salário do Dieese perto de R$ 2.000. Tem que ir para isso, para uma política de redistribuição de renda, redução da jornada de trabalho. [...] Temos que lutar pela redução da jornada de trabalho, se temos uma grande parte da força de trabalho sem ocupação, porque o trabalhador precisa de oito horas por dia?

Plínio defendeu que o governo consegue “bancar” as mudanças no salário mínimo, assim como a redução da jornada, duas bandeiras fortemente defendidas pelos sindicatos. Neste ano, os dois projetos que tratam das mudanças, entre as quais, a alteração no cálculo do reajuste, foram deixadas para votação no segundo semestre.

Pelas contas do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Econômicos), o salário mínimo deveria ser quatro vezes maior, equivalendo a R$ 2.092,36 em junho, para que o brasileiro consiga pagar todas as suas despesas com cesta básica, moradia, transporte, educação, saúde, vestuário, higiene e previdência. Sobre a capacidade de pagamento do benefício, Plínio disse que o governo tem condições porque “tem para bancar os banqueiros” – em alusão aos ganhos dos bancos com os juros.

Sobre as consequências desse aumento prejudicar ainda mais o rombo da previdência, Plínio afirmou que um mínimo maior daria “ganho na qualidade de vida da população” e defendeu a saída do presidente da seguridade social.

Plínio, que já havia afirmado que o país passa por um falso crescimento, motivado pela expansão forte do crédito, disse que o Brasil vive a “economia do desperdício”, em referência ao consumo exagerado, sem ganho real do trabalhador.

- A pessoa tem um certo emprego, com um salário mínimo ali... Dá uma certa sensação [boa] quando você tem um crédito fácil e um monte de pessoas conseguiu ter acesso a uma geladeira, ao computador e ela acha que passou para a classe média. Essa mesma pessoa que compra um refrigerador tem o filho em uma escola e sabe que ele é um analfabeto funcional.

Plínio afirma que a oferta de crédito, que hoje bateu recorde histórico, segundo o Banco Central, é responsável pela “falsa realidade construída” em torno do crescimento brasileiro. Para ele, os investimentos em educação e na igualdade social deveriam ser prioridade para o governo, já que existe uma diferença forte “entre os ricos e pobres” do país.

As críticas em torno do crédito para a compra de geladeiras estão relacionadas às isenções de impostos aprovadas pelo governo para recuperar a indústria, fortemente atingida com a crise econômica de 2008. Durante todo o ano passado, os produtos da linha branca – como geladeiras, fogões e micro-ondas – tiveram o imposto reduzido, o que fez com que os consumidores continuassem a comprar, mantendo a indústria aquecida assim como a oferta de crédito.


 
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