O PSOL oficializou nesta quarta-feira (30) em São Paulo a candidatura do promotor público aposentado Plínio de Arruda Sampaio à Presidência da República, com a qual o partido tentará se consolidar como a “legítima alternativa de esquerda” no Brasil. A convenção nacional do PSOL foi realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Ao discursar, Plínio fez críticas ao PT, legenda que ajudou a fundar e com a qual rompeu em 2005, em meio a denúncias sobre o escândalo do mensalão, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, Lula “humilhou” o partido ao se aproveitar de seu alto índice de popularidade para impor o nome de Dilma Rousseff para ser sua sucessora. O candidato do PSOL se referiu à ex-ministra da Casa Civil como um “poste”.
- Quando falo em poste, refiro-me não à figura pessoal da candidata, mas à figura política. Quando a gente diz que fulano é tão forte que ele elege um poste, o que a gente quer dizer é que ele é tão poderoso que pode humilhar o partido, e colocar a pessoa que ele quer embora não tenha nem tradição do partido, nem tradição na política.
Para Plínio, a escolha de Dilma representou um “escárnio aos petistas”. Ao recordar a trajetória do PT, disse que foi o “primeiro grande partido nacional que não nasceu nos salões entapetados”, mas lamentou que a legenda tenha “perdido o rumo” nos últimos anos.
- A tragédia é que ele [PT] se desviou, perdeu-se no caminho, perdeu a sua chama de classe e se tornou um partido da ordem.
Para Plínio, o PSOL pode preencher o espaço deixado pelo PT.
- Somos a reconstrução dessa esperança.
O candidato disse que, a exemplo de Dilma, os outros dois presidenciáveis, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), “são do campo da ordem estabelecida”.
Ao falar de propostas, o ex-promotor afirmou que colocará em prática, se eleito, um “programa anticapitalista”, que teria como foco a redistribuição da riqueza e da renda. Plínio prometeu fazer as reformas agrária e urbana. Além disso, defendeu a redução da jornada de trabalho, sistemas 100% públicos de saúde e educação e o fim do regime de superávit primário.
Participaram da convenção os três deputados federais eleitos pelo PSOL - Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP) e Luciana Genro (RS), além do senador José Nery (PA). A ausência ficou por conta da presidente nacional da sigla, Heloísa Helena, que foi a candidata do PSOL ao Planalto em 2006 e para este ano havia defendido o apoio ao nome de Marina Silva, do PV.
Vice
Plínio foi oficializado candidato sem saber ainda quem será seu companheiro de chapa. Há a possibilidade de que o PCB indique um nome caso os dois partidos formalizem uma aliança. O tema será discutido na tarde de hoje pelas siglas.