27 de Maio de 2012
Eles estariam a serviço de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda

Depois de passar cinco dias evitando o assunto, a Polícia Civil de Brasília confirmou na última segunda-feira (8) a detenção de dois policiais de Goiás suspeitos de fazer escuta ilegal em gabinetes de deputados de oposição ao governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Os policiais Luiz Henrique Ferreira e José Henrique Daris Cordeiro, lotados na Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil goiana, estariam a serviço de auxiliares de Arruda. Eles foram detidos na quarta-feira passada.
O delegado responsável pela prisão, Guilherme Nogueira, negou no sábado a detenção dos agentes goianos, mas ontem admitiu o episódio. Ele disse que, "por ordens superiores", não poderia dar mais informações. Chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, Nogueira só confirmou a suspeita de grampo após se certificar de que o novo chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, Pedro Cardoso, havia confirmado a abertura de inquérito para apurar o episódio, até então em segredo.
Cardoso assumiu o lugar de Cleber Monteiro, que deixou o cargo na sexta-feira, em meio a rumores de que teria se negado a abafar o flagrante. Ontem, Monteiro se mostrou desconfortável com o tema:
- Não vou falar sobre isso. É um assunto para o novo diretor [...] Houve a prisão, os policiais estavam com equipamentos que foram apreendidos, mas vamos apurar, até porque uma investigação não pode se sustentar em ilações.
O novo delegado-chefe negou o envolvimento de assessores de Arruda.
A cúpula da segurança pública do DF ocultou o caso até da Polícia Civil de Goiás, à qual estão vinculados os agentes. O diretor-geral da polícia goiana, Aredes Pires, determinou a abertura de procedimento administrativo para investigar a conduta dos policiais porque "eles estavam em Brasília por sua própria conta e risco, em horário de trabalho, e não havia qualquer missão fora de Goiás".
O flagrante ocorreu na noite de quarta-feira. Levados para prestar depoimento, os dois policiais foram liberados em seguida. Segundo fontes da Polícia Civil, eles teriam dito que estavam a serviço de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda. O assessor de imprensa de Arruda, André Duda, negou que ele tivesse ligação com o caso:
- O que o governo ganharia monitorando quatro deputados?
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