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publicado em 03/09/2010 às 21h38:

Prefeito carregada grandes quantidades
de dinheiro, revela delator de Dourados

Ex-secretário de governo denunciou corrupção à PF por acordo de delação premiada

Do MS Record

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O ex-secretário de governo de Dourados, Eleandro Passaia, testemunha-chave nas investigações da Polícia Federal dentro da operação Uragano, que desmanchou a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, conta detalhes de como funcionava um esquema de fraude e corrupção, comandado pelo prefeito da cidade, Ari Artuzi. Ele concedeu entrevista à Rede Record.

Eleandro Passaia tem o benefício de delação premiada. De acordo com o promotor Paulo Zeni, o Ministério Público Estadual ofereceu a proposta porque ele é a testemunha-chave da investigação. O promotor deixou claro que Passaia não estaria diretamente envolvido no suposto esquema de propina.

A relação de Passaia com Ari Artuzi começou quando ele, como jornalista, fez a campanha política em 2008 para Artuzi. Depois da eleição, Eleandro foi chamado para ser secretário de comunicação de Artuzi e neste ano secretário de governo. Foi nesta última função que Passaia tomou conhecimento de toda corrupção na prefeitura de Dourados. Na entrevista, ele revela como tudo funcionava e porque resolveu denunciar.

MS Record - A partir de quando que a figura do prefeito Ari Artuzi era de um corrupto?

Eleandro Passaia - Quando definitivamente eu assumi a secretaria de governo. Quando eu trabalhava na Secretaria de Comunicação, não tinha contato com finanças, com obras, empreiteiros, vereadores, eu fazia apenas a comunicação da prefeitura. Quando me tornei secretário de Governo é que ele abriu a mala preta. Ele mostrou que a prefeitura pagava os vereadores, que a prefeitura desviava dinheiro, que todas as empresas que fazem obras públicas devolvem dinheiro para ele.

Ele contou todo o esquema e disse que eu poderia ficar a vontade também para fazer os meus esquemas também, parte daquilo poderia ficar comigo também.

Dias depois, uma empreiteira me procurou dizendo, amanhã te devolvo o dinheiro para você entregar para os vereadores. E o Hospital Evangélico disse daqui dois dias eu entrego o dinheiro para você passar para os vereadores. Naquele dia, vi que era o ponto crucial, ou eu ficava ou eu ia embora, ou eu fazia alguma coisa. Decidi ir até a Polícia Federal e contar tudo.

Imediatamente, nós fizemos um acordo, eles concordaram. Eu peguei os equipamentos da Polícia Federal, microequipamentos e no dia seguinte iniciei as gravações.

MS Record - Como é que funcionava esse esquema?

EP - O prefeito municipal é o grande líder do bando. Oito vereadores pertenciam à base aliada. Eles recebiam dinheiro primeiro para não falar mal do prefeito na tribuna. Segundo, para votarem nos projetos do executivo. Nós tínhamos ainda alguns vereadores da oposição, que esporadicamente pegavam dinheiro, para acabarem com processos de CPI, ou para adoçarem seus discursos contra a administração municipal.

Para manter essa organização criminosa, a prefeitura conta com vários contratos de empresas, que superfaturam seus produtos. Tudo era superfaturado, para que a prefeitura possa ter o lucro, extraoficialmente.

Eu gravei empreteiros dizendo que entregavam para ele, de uma só vez, R$ 200 mil, R$ 100 mil, R$ 300 mil e o próprio prefeito apanhava esse dinheiro, porque ele nunca confiou em ninguém. Então, o dinheiro alto, era o prefeito que fazia e mais ninguém.

MS Record - Qual foi, ou quais foram os momentos que mais te impressionaram durante todo esse esquema, do qual você colaborou, porém com ajuda da Polícia Federal a desvendar tudo?

EP - O prefeito desviou R$ 100 mil em medicamentos do Hospital Evangélico. Parte desse dinheiro serviu para pagar a cirurgia estética da primeira-dama de Dourados, que custou R$ 9 mil.

Neste mesmo período, tivemos dois casos. De uma criança que não conseguiu tratamento aqui em Dourados, apesar de ser bancado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) porque faltou uma consulta prévia nos postos de saúde. E ai ela perdeu a visão. E de um outro senhor, com problema semelhante de visão, que ele não conseguiu esse tipo de tratamento.

MS Record - Você tem pretensões políticas?

EP - Não. Não tenho. Não fiz tudo isso porque eu quero ser prefeito. Até porque se eu quisesse ser prefeito, entraria no esquema deles. Eu estava lá dentro. Eu era uma pessoa influente na prefeitura, eu poderia aproveitar a oportunidade. O prefeito me convidou para ser vice dele na próxima eleição. As oportunidades eram grandes, inclusive financeiramente. Então se eu quisesse ser prefeito, eu teria ficado. Eu não fiz isso por intenções políticas. Fiz por revolta.

MS Record - Você tem medo?

EP - Todos os dias eu recebo ameaças, de pessoas dizendo que isso não vai ficar barato. Então fisicamente, eu posso até não ser livre, mas depois disso eu tenho uma mente e coração livres. Eles talvez se quiserem vingança poderão me procurar onde eu estiver ou tentar alguma coisa com minha família. Por causa disso eu prefiro ficar. Claro, quando eles forem soltos acho coerente, ficas duas semanas fora de Dourados. Mas não vou sair daqui.

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