27 de Maio de 2012
Suspeita é que Camargo Corrêa dava dinheiro em troca de contratos; construtora nega
A procuradora da República em São Paulo Karen Kahn enviou representação ao Ministério Público Estadual de São Paulo na qual pede que o órgão aprofunde investigações sobre o suposto envolvimento de dois secretários da Prefeitura de São Paulo em um esquema para beneficiar a construtora Camargo Corrêa.
Segundo uma planilha apreendida pela Polícia Federal que chegou às mãos da procuradora, a Camargo Corrêa pagava propina a autoridades estaduais e municipais em vários lugares do Brasil para conseguir facilidades com contratos de obras realizadas com dinheiro público.Como a responsabilidade para investigar essas autoridades não é da Procuradoria da República em São Paulo, Kahn enviou os pedidos de investigações aos órgãos competentes para fazê-las. No caso da Prefeitura de São Paulo, foi solicitado que o Ministério Público Estadual investigue três obras nas quais a construtora teria conseguido facilidades por intermédio dos secretários.
O secretário municipal de Habitação teria intercedido pela construtora em uma obra em Paraisópolis e pela liberação de outra obra junto ao Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). Já o secretário municipal de Infra-Estrutura e Obras teria ajudado a construtora em obras em Jurubatuba.
Embora cite as secretarias municipais envolvidas nas irregularidades, a Procuradoria em São Paulo afirmou que não vai divulgar os nomes das autoridades pelo fato de ainda serem necessárias as investigações complementares pedidas aos outros órgãos.
A operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, investigou crimes financeiros e lavagem de dinheiro supostamente cometidos pela construtora Camargo Corrêa. Documentos que fazem menção a políticos que receberam propina da construtora também foram apreendidos durante a operação e enviados à Procuradoria.
A Camargo Corrêa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que ficou sabendo das atuais denúncias por um comunicado publicado no site do Ministério Público Federal, sem que tivesse tido acesso a que elas se referem. A construtora diz que está “convicta da licitude de sua conduta e que espera ter acesso a essas informações para que possa fazer sua defesa”.
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