27 de Maio de 2012
Mauricio Lopes disse que a Justiça pode cassar mais 17 vereadores até o fim do ano por doações irregulares na campanha de 2008
O promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, autor da denúncia contra os 13 vereadores cassados em São Paulo, aponta doação irregular de construtoras e outras empresas para mais seis vereadores que também estão na mira da Justiça e podem perder o mandato até o fim do ano. Ao todo, 35 dos 55 vereadores da cidade foram representados pelo Ministério Público Eleitoral em maio deste ano acusados de receber dinheiro irregular durante a campanha - 29 por doações da AIB (Associação Imobiliária Brasileira) e outros seis vereadores de empresas diversas.
Lopes disse ao R7 que estes casos já saíram das suas mãos e só não foram analisadas ainda porque são ''situações mais complexas'', que dependem de documentos solicitados pelo juiz.
- O fato para mim é o mesmo [dos 13 cassados]. Não vejo diferença de situações, a minha expectativa é rigorosamente a mesma [ da cassação]. Elas ficaram divididas em dois blocos porque dependia de documentos ainda que o juiz requisitou, por isso. São situações mais complexas. Quem vai atrás de doador tem obrigação de saber a sua origem.
Os vereadores que estão na mira da Justiça por causa dessas doações são Antonio Donato (PT), João Antonio (PT), Marco Aurélio Cunha (DEM), Milton Leite (DEM), Sandra Tadeu (DEM) e Roberto Tripoli (PV).
O promotor não especificou caso a caso destes seis vereadores mas disse que envolvem doações irregulares de ''várias empresas'' que não a AIB e citou a Camargo Corrêa e a OAS como doadoras que ele considera irregular. Segundo ele, as empresas participam de consórcio de concessão de serviço público e por isso não poderiam doar. A Camargo Corrêa disse, por e-mail, que "não é concessionária de nenhum serviço público na cidade de São Paulo''. A OAS foi contatada por telefone, mas ninguém que pudesse falar pela empresa foi localizado pela reportagem nos telefones divulgados em seu site.
Uma consulta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que, para Donato e Leite, por exemplo, a construtora doou R$ 50 mil em cheque em agosto do ano passado. Leite disse que o promotor tem direito de ''representar contra o que ele quiser'', mas que a construtora não tem nenhuma concessão pública em seu nome e adoação é regular.
A assessoria de João Antonio e Tripoli disseram que eles só vão se manifestar depois de decisão da Justiça. O vereador Marco Aurélio disse ao R7 que o seu mandato é ''limpo e idôneo'' e não entende o que há de irregular na sua doação. A reportagem entrou o contato com os demais e espera retorno.
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