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publicado em 30/06/2010 às 14h48: atualizado em: 30/06/2010 às 15h42

PSDB cede e deputado do DEM será vice de Serra

Indicação de Indio da Costa ocorre após longo impasse entre líderes do DEM e do PSDB

Wanderley Preite Sobrinho, do R7

O PSDB recuou e aceitou a indicação de um deputado do DEM para ocupar a vaga de vice na chapa de José Serra, candidato do PSDB à Presidência. A indicação do deputado federal Indio da Costa (RJ), 39, foi anunciada na tarde desta quarta-feira (30) pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e pelo presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, após uma reunião na casa de Serra na capital paulista.

O anúncio ocorre após uma crise entre DEM e PSDB, que na semana passada chegou a confirmar a escolha do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga. O anúncio, porém, gerou revolta entre os democratas, que ameaçaram abandonar a coligação. Sem o DEM, o tempo de exposição do PSDB no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV cairia de pouco mais de sete minutos para menos de cinco minutos.

A escolha do deputado para vice de Serra deve ser oficializada na tarde de hoje, durante a convenção nacional do partido, que ocorre em Brasília. Indio, que é do Rio de Janeiro, está em seu primeiro mandato como deputado, e foi relator do projeto Ficha Lima na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) da Câmara.

O deputado, porém, não estava entre os mais cotados para ocupar a vaga e, mais cedo, o DEM trabalhava com três nomes: o do deputado José Carlos Aleluia (BA), do deputado Carlos Melles (MG) e da ex-vice governadora do Pará Valéria Pires.

Roberto Freire, presidente do PPS, partido aliado do PSDB, foi chamado à casa de Serra para ser comunicado sobre a decisão. Freire afirmou que não participou ativamente da escolha do vice e que foi comunicado pelo próprio candidato à Presidência. Questionado sobre a escolha do nome, ele se limitou a dizer que o deputado tem mais experiência que a candidata do PT, Dilma Rousseff.

- Ele tem mais experiência do que a Dilma.

O presidente do DEM também defendeu o nome de Indio da Costa ao ser questionado sobre a experiência do parlamentar.

- Ele já tem três mandatos de vereador, um de deputado federal, experiência administrativa, foi secretário de Educação da Prefeitura do Rio com uma atuação importante na Câmara nos últimos meses, na relatoria do Ficha Limpa. É um nome que agrega juventude.

Maia negou que o nome foi imposto pelo DEM aos tucanos. O presidente da legenda afirmou que, durante o diálogo com Serra e Aécio Neves, deixou claro que os democratas estavam dispostos a negociar.

- Quando eu e o prefeito Kassab viemos para conversar com o governador Aécio e com Serra, nós deixamos claro que não iríamos impor um nome do nosso partido.

Questionado se o vice foi uma indicação pessoal, Maia afirmou que as duas legendas chegaram a Indio após acordarem que o vice de Serra deveria ser jovem.

- Nós colocamos a discussão de nomes de todos os partidos. [...] Chegou-se à conclusão de que o nome de Indio da Costa vai colaborar com as eleições presidenciais deste ano.

Maia afirmou que, a partir de agora, os partidos vão concentrar esforços na campanha presidencial. E afirmou que os conflitos em torno do nome do vice já estão superados.

- Daqui para frente, vamos preparar nossa campanha, essas questões [a briga com o PSDB] estão todas superadas, foi importante, todos tiveram maturidade. A questão do Paraná se desfez, não por uma vontade do PSDB, e sim por uma questão local, decisão do Osmar.

Crise

A crise em torno da aliança foi instalada na última sexta-feira (25), quando o ex-deputado Roberto Jefferson anunciou em seu Twitter que os tucanos haviam escolhido o senador Alvaro Dias como vice de Serra. A decisão, tomada sem aviso e concordância do DEM, gerou irritação.

O clima mudou com uma nova reunião na manhã de hoje entre o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), Serra e o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP).

Numa reunião fechada ontem entre caciques em Brasília, o nome de Alvaro foi praticamente descartado após uma ligação de seu irmão, o também senador Osmar Dias (PDT-PR), avisando que será candidato ao governo do Paraná com o apoio do PT. A indicação de Alvaro era uma tentativa de puxar o apoio de Osmar para Serra.

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