27 de Maio de 2012
Partido terá encontro nacional para discutir alianças e dar largada à campanha eleitoral

Enquadrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT chegou à conclusão de que todo o sacrifício deve ser feito para eleger o ex-ministro da Educação Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, mesmo que seja necessário abrir mão de cargos no governo e ceder cabeças de chapa a partidos da base aliada, como o PMDB.
A análise será exposta nesta quinta-feira, com todas as letras, em reunião do Diretório Nacional. O encontro produzirá uma resolução política de exaltação ao governo Dilma Rousseff e ao PT, que vai comemorar 32 anos amanhã. O ato contará com a participação de Dilma, mas Lula não deve comparecer por causa do tratamento para combater um câncer na laringe.
O deputado José Guimarães, que desistiu de disputar a liderança da bancada do PT na Câmara, a pedido do ex-presidente, para apoiar Jilmar Tatto, diz que o partido, em 2012, fará tudo "para desmanchar o ninho tucano em São Paulo"
- E é isso o que importa para Lula.
Não sem motivo: com influência em bairros da zona Sul e Leste, Tatto é visto como fundamental para a campanha de Haddad.
E continuou.
- Se ganharmos as eleições em várias capitais e perdermos São Paulo, o PT será derrotado.
O secretário de Assuntos Institucionais do PT, Geraldo Magela, vai na mesma linha.
- Aliança eleitoral não é aliança ideológica e o apoio do Kassab ao Haddad é muito bem-vindo. O que está em jogo é a disputa com o PSDB, nosso principal adversário no projeto nacional.
Na prática, a conveniência da aliança de Haddad com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, divide os petistas, mas a direção do partido não vai fazer disso um cabo de guerra e está convencida de que será aprovado o que Lula quiser. Ele argumenta que a vitória na capital paulista é essencial para conquistar o governo do Estado, em 2014, derrotando os tucanos.Com o mapa eleitoral sobre a mesa de trabalho, Lula se movimenta em duas direções: em primeiro lugar, quer convencer o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) a não se lançar à sucessão de Kassab. Caso não seja possível, pretende atrair o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles (PSD) para vice de Haddad e é isso o que negocia com Kassab.
Levantamento do PT obtido pelo Grupo Estado mostra que em 74 das 118 cidades com mais de 150 mil habitantes - consideradas estratégicas para o partido - não deve haver prévia para a escolha de candidatos próprios às prefeituras. Em outros 27 municípios, a decisão foi empurrada para encontros partidários, previstos para março.
Na maioria dessas cidades, porém, a tendência é apoiar nomes do PMDB, do PDT e do PSB, como no caso de Belo Horizonte (MG), onde Lula quer que o PT renuncie à candidatura própria e avalize a chapa pró-reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB).
O postulante do PT é o atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho, em pé de guerra com Lacerda, afilhado do senador Aécio Neves (PSDB) e já avisou que vai até o fim na disputa.
Para o deputado Reginaldo Lopes (MG), presidente do PT mineiro, será um suicídio o PT aprovar candidatura própria em Belo Horizonte.
Há também impasses para a definição de candidaturas em Recife, Curitiba, Fortaleza, João Pessoa, Manaus e Macapá. Na capital do Paraná é provável que o PT apoie Gustavo Fruet (PDT). No entanto, o deputado Doutor Rosinha (PR), um dos pré-candidatos do PT à Prefeitura, avalia a proposta como um erro.
- A coligação tem de ser com o PT na cabeça.
A montagem dos palanques e as divergências sobre as alianças também estarão em debate no Encontro Nacional de Prefeitos e Deputados do PT, marcado para sexta-feira (10), em Brasília. O presidente do PT, Rui Falcão, diz que o partido vai expor suas inquietações e dar a largada da campanha eleitoral.
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