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publicado em 25/06/2011 às 05h55:

Quase 60% dos jovens brasileiros
não se identificam com partidos

Pesquisa indica preocupação com causas coletivas, independentemente da política partidária

Amanda Polato e Marina Novaes, do R7


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Um levantamento divulgado na última semana pode acender uma “luz vermelha” nos partidos políticos do Brasil. De acordo com o estudo “Sonho Brasileiro”, realizado com cerca de 3.000 pessoas de 18 a 24 anos em 23 Estados, 59% dos brasileiros não têm preferência por uma legenda, embora a maioria dos jovens demonstre preocupação com causas coletivas.

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) obtidos pelo R7 mostram que o número de jovens ligados a partidos também não evoluiu nos últimos quatro anos. Em 2007, dos 11,6 milhões de eleitores filiados a partidos, 552,7 mil tinham idades entre 16 e 24 anos (4,5% do total). Já em 2011, entre 13,9 milhões de agremiados, apenas 442,1 mil declararam pertencer a essa faixa etária (3,1% do total) – os números, porém, podem variar, já que alguns eleitores deixaram de informar suas idades.

Para o pesquisador Gabriel Milanez, da agência Box1824, que fez o estudo em parceria com o instituto Datafolha, não é possível apontar apenas uma causa para essa falta de identificação com o sistema político atual, embora seja evidente que “os jovens se sentem cada vez menos representados pelos partidos existentes”.

O coordenador do Observatório Jovem, grupo de pesquisa da UFF (Universidade Federal Fluminense), Paulo Carrano, avalia que é difícil apontar uma mudança de comportamento, pois quase não há pesquisas das décadas passadas para se comparar. Para ele, é errado afirmar que os jovens não se interessam por política partidária, mas é possível entender porque muitos decidem defender suas bandeiras por conta própria.

- Os jovens se vinculam mais a causas e ideias, especialmente àquelas em eles podem participar diretamente, controlar de maneira mais ‘horizontal’ e menos hierarquizada que em instituições. A adesão a partidos significa um gasto de tempo, a tomada de uma posição em termos de adesão a um programa institucional que nem sempre se compreende, já que os partidos prometem uma coisa e fazem outra.

Outro ponto que dificulta a filiação é a dificuldade em atingir as “estruturas de decisão” das legendas, diz Carrano. Além disso, o estudioso lembra que os jovens nem sempre têm apenas uma bandeira a defender, o que torna ainda mais difícil encontrar um partido que reúna tudo o que ele procura.

- Temos hoje movimentos fortes em setores populares, como a juventude negra, os movimentos de periferia. Não tínhamos nada parecido com isso no passado. [...] As pesquisas mostram que há mais hibridismo hoje em termos de engajamento e envolvimento que em outros tempos. [...] Há um fluxo maior, novas formas de participar [politicamente].

De acordo com Milanez, essa multiplicidade de causas mostra aos jovens que é possível fazer política sem pertencer a partidos.

- As causas e os atores se multiplicaram, se fragmentaram. Antes, a gente tinha um pensamento de transformação muito pautado por políticas e grandes nomes, mas hoje, temos uma ideia de que as causas e os atores são múltiplos. Começa a se fortalecer a ideia de que política pode ser construída no dia a dia, por outras vias.

Segundo a pesquisa, os jovens também partilham da opinião de que a maior parte dos políticos se afastou das bandeiras coletivas para correr atrás de seus interesses pessoais. Além disso, 83% – ou 8 em cada 10 jovens – disseram que os problemas mais graves do Brasil estão diretamente ligados à concentração de poder nas mãos de poucos.

Outro ponto que facilita o engajamento “independente” é a internet. De acordo com o estudo, 71% dos entrevistados consideram que a mobilização via web é um jeito de fazer política. Um exemplo disso foram as passeatas e protestos realizadas nos últimos meses no país, como a Marcha da Liberdade e a Marcha das Vadias (contra a violência e o preconceito contra mulheres), promovidas pelas redes sociais.


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