Agência EstadoPitta em 2000 quando era prefeito da capital paulista
12 de Fevereiro de 2012
Ele morreu ontem à noite no Sírio-Libanês, onde estava internado por causa de um câncer
Em 1996, como Maluf não podia tentar a reeleição, lançou Pitta – seu homem de confiança – candidato à Prefeitura para sucedê-lo. Durante a campanha comandada pelo publicitário Duda Mendonça, Maluf repetia diversas vezes a frase: “Se Celso Pitta não for um bom prefeito, não votem mais em mim”.
Pitta derrotou Luiza Erundina, candidata do PT que tentava voltar à Prefeitura, e foi eleito. Sua gestão foi marcada por denúncias de corrupção feitas por sua ex-mulher, Nicéia Pitta, em 2000. Ele chegou a deixar o cargo por cerca de 20 dias por determinação da Justiça.
Nessa época, Maluf rompeu com o afilhado político e Pitta se filiou ao PTB. “Não tenho mais nenhum relacionamento pessoal com ele. Nem gostaria de ter”, disse Maluf à época.
No fim de seu governo em São Paulo, Pitta era réu em mais de dez ações civis públicas. A dívida da capital paulista passou na sua gestão de R$ 8,6 bilhões em 1997 para R$ 18,1 bilhões. Não tentou a reeleição e também saiu derrotado de duas campanhas para deputado federal, em 2002 e 2006.Em 2004, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado chegou a ser preso por desacato à autoridade ao discutir com o senador Antero Paes de Barros. Em 2006, o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a devolução de R$ 11,8 milhões aos cofres da prefeitura paulistana.
Em 2008, a Justiça Federal considerou Pitta culpado pelo "escândalo dos precatórios" [emissão de títulos públicos que, segundo denúncias, teriam endividado a cidade], imputando-lhe uma pena de quatro anos de prisão.
Em julho do ano passado, durante as investigações da Polícia Federal na Operação Satiagraha, Pitta foi investigado por corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa. Também foram alvos desta operação o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
Pitta também teve problemas com o atraso da pensão à ex-mulher. Nicéia pediu à Justiça a prisão do ex-prefeito em duas ocasiões. Em 2008, foi considerado foragido da polícia e só apareceu depois que seus advogados conseguiram suspender a determinação. Em 2009, mais um pedido de prisão pela dívida que estava em R$ 155 mil. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou que o ex-prefeito cumprisse prisão domiciliar.
Morre aos 63 anos, em 20 de novembro, por volta das 23h30, no Hospital Sírio-Libanês, onde estava internado para tratar de um câncer no intestino.
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