Dilma, Serra e Marina: marqueteiros se esmeram para acertar o ponto
11 de Fevereiro de 2012
Analistas avaliaram a postura dos principais candidatos à Presidência do Brasil
Depois de algumas gafes em eventos da pré-campanha, os marqueteiros da petista tiraram sua candidata de circulação para dar dicas de postura em frente a câmeras e microfones. Mas, dizem os especialistas, não é só Dilma que precisa de alguns pitacos.
Serra fez suas primeiras aparições públicas mostrando “abatimento”, o que precisaria ser corrigido imediatamente, segundo o consultor político Luiz Roberto Rech.
- A impressão é que ele está abatido. Não tem a mesma aura de quatro anos atrás, quando ele foi candidato ao governo de São Paulo. A expressão não passa aquela ideia de que ele é um candidato que quer mudar o Brasil.
Para resolver o problema, o especialista diz ter reparado na inclusão de jovens em sua campanha.
- Ele está cercado de jovens radiantes. A campanha também quer um vice com essa vitalidade de juventude, como o Aécio [Neves], um jovem bem-sucedido.
Rech diz que o tucano precisa “ter mais mobilidade, sorrir mais e ser mais incisivo na comunicação para mostrar força e vitalidade”.- Não dá para transformá-lo em um manequim, mas dá para melhorar sua imagem com as pessoas ao redor dele, como o anúncio de alguns futuros colaboradores que passem essa vitalidade.
Já o psicanalista Francisco Daudt destaca as melhoras na postura de Serra na comparação com a eleição anterior.
- Ele melhorou muito sua linguagem. Antes ele dizia que “o petismo era o bolchevismo sem utopia”, o que ninguém entendia. Já o discurso de lançamento de sua pré-candidatura foi de uma clareza meridiana. Objetivo, não foi rasteiro, nem populista, mas programático. Ele falou para todos os públicos em um linguajar simples.
Sobre a Dilma, ele criticou as plásticas feitas por ela.
- Tem um ditado que diz que aos 20 anos você tem a cara que Deus te deu, depois dos 40 você tem a cara que merece. A Dilma resolveu burlar esse destino.
Ele diz que, antes das operações, sua expressão não era sorridente.
- Agora, quando ela fica cansada de ficar com sorriso de boca e não de rosto, ela cansa e a carranca volta.
O consultor político concorda.
- Ela mudou e mudou para pior. Ela deveria ser a Dilma ministra. A partir do momento em que ela fez essa plástica, o eleitor não vai conseguir fazer a identificação. Parece que se trata de uma Dilma mascarada.
Ele também é contra a transformação da imagem de ministra xerife em candidata paz e amor. Para ele, a campanha deveria aproveitar sua fama de durona em vez de tentar esconder.
- Se ela tem essa fama, ela tem de saber usar essa característica para dizer que vai usá-la para combater a corrupção. Na Inglaterra, Margareth Tatcher foi primeira ministra com esse jeito de durona.
Já para mostrar seu lado sensível, ele recomenda que Dilma mostre sua família.
- O brasileiro é muito família. Ela deveria apresentar sua filha e neta para começar a atingir o emocional.
Ele diz que o forte da Dilma até agora é justamente o oposto de Serra em público.
- Ela passa muita vitalidade porque teve um problema muito sério [câncer], e isso foi divulgado muito estrategicamente. Então, se ela pode superar um câncer, ela poderia superar outros problemas. O símbolo de vitalidade é da Dilma.
Sobre a candidata do PV, Marina Silva, o psicanalista disse que sua principal característica é passar a imagem de pessoa simples sem “fazer disso uma bandeira, ao contrário do Lula”.
- A Marina passa uma coisa madre Teresa de Calcutá não intencional. Ela é séria e agradável. Não acho que ela tenha de fazer modificações para melhorar porque ela já passa a impressão de autenticidade.
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