Hélvio Romero/Agência EstadoDom Paulo, irmão de Zilda Arns (na foto), diz que ela morreu defendendo o que acreditava; Zilda foi uma das vítimas do terremoto no Haiti
12 de Fevereiro de 2012

Senador Flávio Arns disse que a tia, vítima do terremoto, morreu "lutando pela dignidade"
- É uma perda para o Brasil inteiro, para nós também amigos e familiares. A gente não sabe ainda se o velório vai ser aqui, soube através do Gilberto Carvalho [assessor da Presidência] esta manhã que ela havia falecido. Ela morreu fazendo o que fez a vida inteira, lutando pela dignidade. As pessoas me convidaram em nome da família, vou lá para verificar o que pode ser feito pelas autoridades e, se for necessário, o que possa ser feito para que o corpo dela possa ser trazido para o Brasil.
Arns contou que o próprio gabinete da Presidência ligou para os filhos, que “não tem condições de ir ao país porque parece que o aeroporto não está funcionando”. Zilda deixou quatro filhos.
- A família está desolada, os amigos, são dezenas de milhares de voluntários, ela era conhecida nos bolsões de pobreza.
O senador disse também que encontrou a tia pela última vez nas festas do fim do ano.- Ela era uma pessoa de muita vitalidade, viajando pelo mundo para ficar trabalhando, mas ela diria ‘vai com esperança’. Nós nos encontramos no final de ano, numa grande festa da família em Curitiba, e ela sempre muito animada, dando boas vindas a todos que tinham vindo de Santa Catarina, Rio Grande Sul, mas é a sim mesmo, né?
Zilda Arns Neumann tinha 75 anos, era médica pediatra e sanitarista, fundadora da Pastoral da Criança. Ela chegou ao país no dia do terremoto para dar uma palestra nesta quarta-feira (13). A médica morreu depois de ser atingida na cabeça por escombros da igreja em que estava. Zilda Arns viajou ao país para dar uma palestra e já tinha terminado o discurso quando foi atingida na cabeça.
Fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns era irmã de dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo. Os dois nasceram em Forquilhinha, em Santa Catarina. Dom Paulo Evaristo Arns afirmou hoje que a irmã teve "uma morte bonita".
Em 2006, ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz junto com outras 999 mulheres de todo o mundo. Nascida em Santa Catarina, ela morava em Curitiba, Zilda criou cinco filhos com o marido, morto em 1978. Uma de suas filhas, Sílvia, morreu em 2003 em um acidente de carro. Ela era avó de dez netos.

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