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publicado em 14/05/2010 às 20h24:

Vítima do caso Escola Base teme “caça
às bruxas” contra suspeitos de pedofilia

Caso ficou conhecido como o maior exemplo de má-conduta jornalística dos anos 90

Marina Novaes e Fernando Gazzaneo, do R7

Passados 16 anos do caso da “Escola Base”, em que sete pessoas foram acusadas injustamente de pedofilia em uma escola de São Paulo, o americano Richard Pedicini alerta para a “caça às bruxas” em torno dos casos de abuso sexual. Pedicini foi preso em 1994 por suspeita de envolvimento no episódio e, da plateia, reagiu ao debate em torno do tema nesta sexta-feira (14), durante a quinta edição do Fórum Internacional de Justiça, na capital paulista.

Após assistir à discussão, Pedicini se levantou para fazer críticas à imprensa e à Justiça brasileira por, segundo ele, ainda continua a tratar suspeitos como culpados. Na ocasião, o inquérito policial foi arquivado por falta de provas contra os suspeitos e o episódio se tornou o maior exemplo da má-conduta jornalística dos anos 90.

Desde que o caso ocorreu, o americano, que mora em São Paulo com a mulher e a filha brasileiras, passou a acompanhar casos de grande repercussão nacional, como o escândalo da rede de pedofilia de Catanduvas (SP).

- Eu vejo que ocorre uma “caça às bruxas” aqui no Brasil. […] Na época em que isso ocorreu comigo, não adiantava eu falar nada, porque ninguém queria ouvir.

O deputado estadual José Bruno (DEM), autor da CPI da Pedofilia no Estado e que integrava a mesa de debatedores, rebateu às críticas e disse que o combate à violência contra crianças não pode ser desmoralizado por conta de um erro do passado.

- A “caça às bruxas” sempre aconteceu, mas luta contra a pedofilia é uma luta genuína. Não se pode tentar, por conta de um erro, descredibilizar uma briga como essa.

Para o jornalista da Record Renato Lombardi, que integrou a mesa de discussão, não há dúvidas dos erros cometidos à época pela imprensa, porém, argumentou que os veículos de comunicação têm papel fundamental em denunciar casos de violência para “encorajar a lutar contra a pedofilia”.

De acordo com a advogada Roseane Miranda, criadora de um site pioneiro na luta contra a exploração de menores, em apenas seis anos o portal recebeu cerca de 150 mil denúncias de casos de abuso de crianças.

- Existe uma “máfia da pedofilia” e é um problema que não pode ser ignorado.

Participaram do debate também o presidente do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), desembargador Antonio Carlos Viana dos Santos e o organizador do fórum, jornalista Luiz Maurício.

O 5° Fórum Internacional de Justiça reúne profissionais de Justiça de diversos países para discutir as estratégias de combate a crimes como pedofilia, corrupção e lavagem de dinheiro, além do tráfico internacional de crianças e terrorismo. O evento é promovido pela APM (Associação Paulista de Magistrados) e pelo Jornal da Justiça, o Fórum Internacional de Justiça conta com o patrocínio da Rede Record, da Odebrecht e da Fiesp. Mais informações podem ser lidas no site do evento.

 

 
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