Produtores de carne cobram "aperto ao cerco" a fiscais corruptos

Após Carne Fraca, Ministério da Agricultura afastou 33 servidores envolvidos no esquema

Fernando Mellis, do R7

Empresas interditadas passarão por auditoria do Ministério da Agricultura nos próximos dias Nacho Doce/Reuters

A descoberta da Operação Carne Fraca da PF (Polícia Federal) de um grupo de fiscais do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que recebia propina para facilitar burocracias e fazer vista grossa em frigoríficos, pôs em alerta a indústria de carnes.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Francisco Turra, afirmou que pediu ao ministro da pasta, Blairo Maggi, rigidez na identificação e punição de servidores que estejam cometendo crimes.

— Nosso pedido ao ministro foi exatamente de que se aperte o certo a quem não tem credibilidade, até para valorizar quem tem, que é a imensa maioria dos servidores do ministério. Eles estão hoje sob suspeição. Não pode.

No entanto, Turra ponderou que o número de agentes identificados até agora é ‘mínimo’ perto de todo o contingente de fiscais. De aproximadamente 11 mil, 33 foram afastados por terem sido citados na Operação Carne Fraca, que desvendou o esquema.

— Você tem, em qualquer setor, um número de pessoas que não são tão éticas e cumpridoras da lei. Infelizmente, ainda, como uma questão quase de cultura. Mas é um número que preocupa, é muito para nós, tanto é que estamos fazendo todo esse movimento para combater e exemplificar que esse mal [corrupção] causa danos a todos.

As investigações da Polícia Federal no Paraná mostram casos de servidores do Mapa que achacavam donos de frigoríficos com objetivo de tirar vantagem financeira. Aqueles que não topavam participar do esquema, tinham o trabalho dificultado, com recusas de documentos e demora para emissão de certificados.

Mas também havia quem topasse e até tivesse relação próxima com os fiscais corruptos. Um servidor da Seara (pertencente à gigante JBS) foi flagrado pelos investigadores, em fevereiro de 2016, entregando um isopor na casa da então chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, Maria do Rocio Nacimento.

Segundo a PF, tratava-se de carnes e outros produtos, que ela recebia como complemento ao pagamento de propina.

Um funcionário da BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão) foi flagrado em escutas autorizadas pela Justiça conversando com o chefe do Departamento de Inspeção de Goiás, Dinis Lourenço. Na ocasião, ele pedia que a unidade de Mineiros não fosse interditada.

Os episódios surgem em um momento em que a credibilidade brasileira já está prejudicada no exterior, devido à Lava Jato.

Além de afastar os servidores citados nas investigações, o Mapa determinou a suspensão das atividades em cinco fábricas de carne. Elas só vão poder voltar a operar após uma auditoria.

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