Brasil

24/3/2013 às 00h50 (Atualizado em 24/3/2013 às 00h59)

Senador Lindbergh Farias é acusado de receber propina de empresas privadas

Dossiê obtido pela Revista Época revela denúncia de corrupção contra o senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu (RJ)

Do R7

Um dossiê, publicado neste sábado (23) pela revista Época, revela denúncias de corrupção contra o senador Lindbergh Farias, do PT, pré-candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro. Documentos obtidos pela publicação acusam o senador de receber propina de empresa privadas. As acusações são de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Referem-se ao período em que Farias foi prefeito de Nova Iguaçu, entre 2005 e 2010.

Os documentos, que constam de uma investigação no Ministério Público Estadual do Rio, fazem parte de um inquérito que Farias responde no Supremo Tribunal Federal. A então chefe de gabinete da Secretaria de Finanças de Nova Iguaçu, Elza Elena Barbosa Araújo, acusa o ex-prefeito da cidade de montar um esquema para captar propina de empresas contratadas pelo município.

A quantia pode atingir R$ 500mil por contrato acertado com a prefeitura de Nova Iguaçu.
O dinheiro era levado à secretaria em bolsas e maletas por empresários envolvidos no esquema. Elza diz que as quantias eram usadas pelo então prefeito para pagar despesas pessoais.

Elza acusa, por exemplo, o ex-prefeito de quitar prestações de um apartamento da mãe dele com o dinheiro da propina. A ex-chefe do gabinete conta, ainda, que o dinheiro sujo era usado para encher os cofres da Bougainville Urbanismo, empresa de Carlos Federico Farias, irmão de Lindbergh. Ele mora na Paraíba, estado onde o senador nasceu. A quantia que teria parado nas contas da empresa era de R$ 250 mil.

A revista Época ressalta, na reportagem, que os depoimentos de Elza ao MPE são considerados “ricos em detalhes”. Procuradores afirmaram que Elza mostrou uma planilha usada pelo então secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Francisco José de Souza. O documento lista números de contas de banco, dívidas e pagamentos que seriam feitos por Francisco em nome do prefeito e seus familiares.

Foi com essa planilha e depoimentos que o MPE abriu investigação e pediu, em julho de 2008, a quebra do sigilo bancário de Lindbergh, sua mulher, mãe e dois irmãos, além de sete empresas da família — entre as quais, a Bougainville Urbanismo. O Tribunal de Justiça autorizou a investigação bancária, que confirmaria as transações.

Senador se defende

O dossiê que acusa o senador do PT foi obtido com políticos do PMDB, partido da base aliada da presidente Dilma Rousseff. Lindbergh anunciou, no final de 2012, que seria pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. Como o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, também pretende se candidatar ao posto ocupado pelo governador Sérgio Cabral, começaram os ataques a Lindbergh. Os dossiês deram lugar às denúncias de corrupção, que incluem os dossiês, revelados pelo revista.

Lindbergh se defende dizendo, em declarações à Época, que os ataques do PMDB são infundados. Disse o senador à revista: “Ao contrário do PMDB, não sou patrimonialista. Não tenho mansão incompatível com meus rendimentos. Se eles pensam que vão me intimidar com dossiê, estão enganados. Vou ser candidato com tudo aberto, minhas contas, meu patrimônio. Resta saber se eles podem fazer o mesmo. O que fizeram comigo foi uma violência, uma covardia. (...) Quebraram o sigilo de toda a minha família e até de meu pai, morto há mais de 17 anos. Fizeram uma devassa em minha vida e de minha família. Não vai aparecer nada.” Ele nega a denúncia de corrupção e repasse de dinheiro às empresas da família.

 

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