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Publicado em 12/05/2011 às 15h27

Carro clássico: Willys Interlagos
é o primeiro esportivo brasileiro

Carrinho nasceu da parceria entre a Willys e a francesa Renault

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Esportivo era vendido sob encomenda e foi fabricado até 1966 tendo apenas 822 unidades construídas


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Do R7, com WebMotors (Antigo Motors)

O aquecido mercado dos automóveis esportivos aguçava a criatividade das montadoras nos idos dos anos 60. Assim como o bolso de seus acionistas quando os negócios iam bem. A história do Willys Interlagos pode-se entender como uma estratégia de marketing desde o princípio. Mas diga-se, das mais bonitas e atraentes.

- Existiam apenas dois bons motivos para se ter um Interlagos: o charme e a guia esportiva, afirma o proprietário deste clássico amarelo.
 
A Willys precisava estreitar seus laços com a Renault, parceira nos modelos Gordini e Dauphine. A primeira já tinha uma equipe vencedora nas pistas e a segunda, mecânica urbana e projetos que precisavam se associar a uma imagem de campeã para melhorar as vendas.

O Willys Interlagos se tornou a oportunidade. As empresas juntas foram ousadas ao oferecer a mesma estética dos carros das pistas aos motoristas das ruas, por meio das versões Berlineta, Cupê e Conversível, todos derivados dos Alpine A 108 francês.
 
A opção conversível era exclusiva para o Brasil. O nome Interlagos foi escolhido a dedo pela agência de publicidade, por ter um apelo jovem, nacional e esportivo (autódromo paulista).

- Dificilmente o Interlagos viria a ser o primeiro carro de uma família. Cabia-lhe melhor a tarefa de ser o carro de uma pessoa solteira, cujo estilo de vida lhe permitisse. Na época era chamado de 'carro de playboy', conta o especialista.
 
Ok, nos dias de hoje não seria muito diferente...

Por dentro e por fora - nenhum dos modelos visava conforto ou praticidade interna. Bastante compacto, onde motoristas maiores de 1,80 m sentiam dificuldades ao dirigir, já que os pilotos são em sua maioria baixinhos.
 
- Arrancar nos sinais à frente dos outros automóveis, passar por espaços diminutos e frear prontamente faziam parte do cardápio. As dificuldades de um convívio urbano mais intenso se encontravam no conforto e acomodação para apenas dois passageiros.
 
De chassi tubular, uma solução semi-artesanal que outras marcas já usavam como Ferrari e Maserati, exemplifica algumas especificidades de sua construção. O detalhe do bocal do tanque de gasolina, bem próxima ao teto, é quase uma iguaria.

- A primeira partida pela manhã era fácil, assim como seu comportamento dinâmico, satisfatório para o trânsito urbano, afinal herdara a mecânica do Gordini, um carro econômico com vocação para uso na cidade nos anos 60.

No uso constante era melhor tomar cuidado, pois o motor estava sujeito a quebras e superaquecimento. Mas o proprietário deste belíssimo exemplar só veio a ter contato com o Interlagos no início dos anos 2000, quando o trânsito nas grandes cidades, como São Paulo, adquiriram características extremamente desfavoráveis ao uso. Colocando o clássico para rodar no trânsito atual, teríamos sérios inconvenientes.
 
- Os enormes caminhões, cujas linhas dos para-lamas se encontram muito acima do teto do carro, desenvolvem velocidades muito altas em vias expressas (quando não congestionadas), tornando o ato de guiá-lo ameaçador.
 
A principal contribuição do modelo foi a técnica desenvolvida em sua produção: primeiro carro nacional feito em série de plástico reforçado com fibra de vidro. A Willys foi uma escola de esportivos de pequena escala, de onde surgiram os primeiros técnicos. Solução esta que se mostrou adequada para modelos de pequena produção. Era vendido sob encomenda, o fim da linha foi em 1966 com apenas 822 unidades feitas.

Hoje é considerada uma tiragem baixa, mas há algumas décadas podia ser suficiente para abrilhantar os caminhos que percorria.
 
- Enquanto o Interlagos marcou presença nas ruas durante os anos de 1960, eu era ainda muito pequeno e tudo que posso lembrar é que ficava absolutamente fascinado por aquele carrinho de corrida. Mas quem, independente da idade e do tempo, não fica?

(*)
Fonte: "Memórias Sobre Rodas Anos 60/70", Editora Alaúde.
Agradecimentos a Automóveis do Brasil. Fotos de Jocelino Leão.

 


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