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Publicado em 22/02/2011 às 15h26

Comparativo R7: veja quem vence o duelo entre Citroën AirCross e VW CrossFox

Modelos aventureiros entregam imagem diferenciada, mas cobram caro por isso

AirCross CrossFox 700 400Daia Oliver/R7

Tanto o VW quanto o Citroën chamam atenção, mas o francês atrai o maior número de olhares por minuto


 
Lucas Bessel, do R7

O que Citroën Aircross e Volkswagen CrossFox têm em comum? Várias coisas, mas a principal delas é justamente o "cross" no nome. Em outras palavras, têm suspensão elevada, estepe na traseira, para-choques reforçados, rack longitudinal no teto, adesivos laterais e outras maquiagens no melhor estilo aventureiro - que acrescentam cerca de R$ 10 mil aos modelos "civis" correspondentes.

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Ter esse fato em mente foi essencial para fazer o comparativo entre o AirCross e o CrossFox que você lê a seguir. A ideia, ao final do texto, é ter bem claras as razões para gastar (ou não) uma grana extra em carros que trazem diferenciais que são muito mais baseados em imagem e atitude do que em desempenho.
 
O AirCross é o lançamento mais recente da Citroën no Brasil. O carro é praticamente o mesmo C3 Picasso europeu (que ganhará versão no Brasil em breve) com a adição de toda a maquiagem aventureira. Os preços começam em R$ 53.900 para a versão básica e chegam a R$ 68.050 na configuração Exclusive - recheada de equipamentos - com todos os opcionais possíveis. A versão que avaliamos foi justamente essa última, empurrada por um motor 1.6 16V flex que gera 113 cv de potência com álcool.
 
Já o CrossFox é um velho conhecido do brasileiro. Com o face-lift que a VW aplicou a toda a linha Fox em 2009, o carrinho ganhou um interior muito (mas muito mesmo) melhor, novos faróis e configuração diferente das luzes traseiras. Os acessórios cross também ficaram mais sucintos, menos "escandalosos" do que no modelo anterior. Os valores começam em R$ 49.250 e chegam a R$ 63.625 com a inclusão dos opcionais - e você vai precisar de pelo menos alguns deles, acredite. O motor é o também veterano 1.6 flex que rende 104 cv com etanol.

Air Cross Cross Fox frente a frente
Suspensão elevada dos carrinhos ajuda a enfrentar a "selva de buracos" das grandes cidades (Daia Oliver/R7)
 
Imagem é tudo 

Basta conversar alguns instantes com donos de veículos cross para perceber que a imagem, nesses casos, é tudo. A atitude agressiva dos carros aventureiros é o que costuma conquistar o consumidor. Não à toa praticamente todas as montadoras instaladas no Brasil têm os seus "semi fora de estrada". 

Nesse quesito, o AirCross dá um banho no Volkswagen. Mantendo a tradição da Citröen, o carro tem design ousado, que ganha atitude graças aos acessórios e transmite uma imagem moderna, associada a um motorista que, ao menos na teoria, não tem medo se passar por "selvagem".
 
O francês é imponente, alto e chama a atenção nas ruas, até porque é bem menos comum que o VW - nem de longe vende tanto. A cara esportiva é reforçada pelo projeto dos faróis dianteiros, que invadem para-lamas e capô, e pelo desenho inusitado das rodas de liga leve. Em resumo, o carro praticamente grita: "Veja como sou moderninho!". Em alguns momentos, parece até ser excesso de informação.
 
O CrossFox tem design bem resolvido, que nem de perto chama tanta atenção quanto o do AirCross. O face-lift trouxe para a família a identidade que a Volkswagen já está aplicando a toda sua linha - aguarde mudanças no Gol ainda neste ano - e que, de certa forma, homogeneizou a cara de quase todos os carros da marca. Olhe para as fotos do VW ao lado do Citroën e veja a clara diferença de concepção.
 
O alemão conquista pela sobriedade, se é que é possível ser sóbrio com um carro amarelo ou laranja. Os faróis são bonitos, as lanternas são bonitas, as rodas são bonitas, mas nada realmente salta aos olhos. Por isso, se é pela imagem e pela atitude, o Volkswagen deve ao AirCross.

AirCross Crossfox 3
Faróis alongados dão modernidade ao AirCross; CrossFox adota identidade mundial da VW (Daia Oliver/R7)
 
R$ 4.000 = mais espaço e equipamentos 

De cara, a diferença de preço entre CrossFox e AirCross pode assustar. Afinal, são quase sempre cerca de R$ 4.000 a mais pelo francês, dependendo da versão e dos equipamentos opcionais. Esse preço pode ser justificado pelo tamanho maior do Citroën - são 2,54 m de entre-eixos, enquanto o VW tem 2,46 m. Isso significa mais espaço para os ocupantes e para a bagagem. Enquanto o porta-malas do AirCross tem capacidade para 403 litros (1.500 litros com bancos rebatidos), o CrossFox pena com 260 litros (cerca de 1.320 litros com os bancos rebatidos). 

Mas a diferença realmente gritante está no número de itens de conforto e segurança encontrados no Citroën. A Volkswagen adota a inexplicável estratégia de oferecer um carro de quase R$ 50 mil sem ar-condicionado de série. Já o AirCross traz o equipamento em todas as suas versões, com a opção de controles digitais na configuração Exclusive.
 
O CrossFox, por sua vez, contra-ataca com airbags para motorista e passageiro e freios ABS de série. No francês, esses itens só estão presentes na versão mais cara, que também acrescenta EBD (controle de distribuição de frenagem). 

Entre as opções que podem aparecem no AirCross e que sequer estão disponíveis - nem mesmo como opcionais - no VW estão: controle de cruzeiro ("piloto automático") e limitador de velocidade, mesas "tipo avião" nos bancos traseiros, porta-luvas refrigerado, revestimento de couro do volante, bússola, inclinômetro, airbags laterais dianteiros e sistema de navegação com tela integrada. O computador de bordo é bem completo em ambos os carros, mas o CrossFox ganha no quesito ergonomia e visibilidade do equipamento, especialmente pelos comandos no volante - opção também disponível no AirCross. 

AirCross CrossFox porta-malas
Tanto o CrossFox quanto o AirCross possuem controle de destravamento do estepe na chave (Daia Oliver/R7)

Mas e o desempenho? 

Até agora, parece que o AirCross desbanca o CrossFox com folga, certo? Acontece que ainda não falamos de desempenho e diversão ao volante. Aqui o Volkswagen traz a luta mais para o seu território e consegue dar uma surra no Citroën, graças principalmente aos bons méritos de seu câmbio e à falta de atenção dos franceses a esse quesito.
 
A caixa manual de cinco marchas do VW tem os tradicionais engates precisos que também fazem sucesso com donos de Gol e Polo. O motor 1.6 forma um conjunto excelente com esse câmbio, atuando em uma faixa de rotações confortável, mas que não hesita em ficar "nervosa" na primeira acelerada ou redução.
 
Na comparação direta com o Citroën, a diferença é gritante. O câmbio de cinco marchas do AirCross é molenga, de curso muito longo e com engates "preguiçosos", tirando boa parte do prazer de guiar. Embora o motor 1.6 do AirCross seja mais potente, a diferença não é suficiente para dar conta do maior peso (1.404 kg na versão Exclusive). Já o propulsor de 104 cv do CrossFox faz o carrinho de 1.130 kg ficar esperto na cidade, bom de dirigir em altas rotações.
 
O zero a 100 km/h do Volkswagen é feito em 11 segundos com álcool, contra os 13,4 segundos exigidos pelo Citroën. Em termos de suspensão, ambos os carros se dão bem: empate técnico. O consumo também é cerca de 9% menor no VW (6,4 km/l na cidade e 8,8 km/l na cidade).

painel-aircross-crossfox-g-20110222
Para-brisas tri-partido do Citroën Aircross proporciona melhor visibilidade que o do VW CrossFox/Divulgação
 
Vida no interior

A primeira coisa que você percebe ao entrar no AirCross é a excelente visibilidade. Aquele que seria um tradicional ponto cego na coluna A é eliminado graças ao para-brisas tri-partido, boa ideia que outros fabricantes poderiam começar a adotar. No próprio VW esse ponto se torna um problema. Em alguns cruzamentos, a falta de visibilidade faz o motorista se inclinar para enxergar o que vem pela esquerda ou pela direita.
 
A posição de dirigir, embora seja diferente nos dois carros, é muito boa. No AirCross, o motorista se sente como se estivesse dentro de uma minivan, ligeiramente mais elevado e vertical. O CrossFox tem mesmo jeitão de hatch, embora a sensação de altura também esteja presente graças à suspensão mais alta.
 
Talvez a única falha grave de ergonomia fique por conta do Citroën. Os pedais ficam tão "espremidos" entre o assoalho e a coluna de direção que o motorista constantemente raspa o pé esquerdo no alto quando vai soltar a embreagem. Outro problema menor é a posição do botão do pisca-alerta, que foi colocado bem à frente da alavanca do câmbio e fica suscetível a acionamentos involuntários na hora de engatar a terceira ou a quinta marchas.
 
Ambas as montadoras fizeram um bom trabalho no acabamento com plásticos rígidos. A diferença, como na aparência exterior, está no conceito. O VW é mais sóbrio, enquanto o Citroën é chamativo, com seus cromados e saídas de ar triplas arredondadas. O painel do CrossFox, com iluminação azul elegante, leva a melhor sobre o conjunto sem graça em branco e laranja do AirCross.
 
Notas (0 a 10)
 
Citroën AirCross
Design (9) –
Moderno e ousado, chama a atenção nas ruas (talvez até demais).
Conforto (8) – Boa posição de dirigir e espaço razoável para os ocupantes de trás. Acabamento competente nos plásticos e estofados. O triste arranjo dos pedais tira pontos nesse quesito.
Comportamento (8) – A suspensão elevada é bem acertada para rodar na cidade, e não se mostra tão macia quanto você poderia esperar de um Citroën.
Motor e câmbio (7) – Embora o motor 1.6 seja honesto e entregue mais potência que o VW, o câmbio molenga e pouco preciso estraga a diversão.
Segurança (8) – A nota não é maior porque airbags e ABS com EBD não são de série na versão de entrada. Em compensação, oferece bolsas laterais para motorista e passageiro como opcionais no topo.
Preço (7,5) – A versão de topo com todos os opcionais custa mais de R$ 68 mil. Mesmo com todos os equipamentos e a imagem aventureira, é muita grana.
MÉDIA FINAL (8)

Volkswagen CrossFox
Design (7,5) –
É bem resolvido, mas não impressiona ninguém. O face-lift garantiu a atualidade.
Conforto (7,5) – Motorista e passageiro vão bem, mas passageiros ficam apertados.
Comportamento (8) – Neutro, não é esportivo, mas não decepciona nas curvas.
Motor e câmbio (9) – O motor 1.6 de 104 cv casa bem com o excelente câmbio manual de cinco marchas, famoso pelos engates precisos.
Segurança (7) – Air-bag duplo e ABS (sem EBD) são de série. E mais nada.
Preço (7,5) – Um carro que custa quase R$ 50 mil em sua versão básica deve oferecer ar-condicionado de série. O CrossFox não o tem. Os pacotes de opcionais e a maquiagem aventureira encarecem o VW.
MÉDIA FINAL (7,75) 

Opinião: O AirCross é um carro para quem busca projeção de imagem e um bom pacote de equipamentos. O CrossFox, cerca de R$ 4.000 mais barato, é bem menos glamuroso e tem menos equipamentos, mas compensa com a diversão ao volante. Na hora de comprar qualquer um dos dois, o consumidor deve avaliar se vale a pena pagar até R$ 10 mil a mais pelo pacote "cross" ou se a melhor ideia é pegar um Fox 1.6 ou um C3 Picasso (que, como já dissemos, começará a ser vendido em breve).