Diogo de Oliveira, do R7É isso mesmo: faz apenas um ano que a Honda lançou a nova geração do Civic no Brasil, e o sedã médio acaba de ser relançado — já como linha 2014! Entendeu a manobra? É simples. Quando lançou o Novo Civic, a fábrica japonesa esperava recuperar a liderança do segmento, perdida para o arquirrival Corolla. A “confiança” estava no próprio modelo, bem mais moderno e sofisticado que o Toyota.
Só que a Honda se esqueceu de um detalhe: o consumidor brasileiro, em geral, é conservador. Para um sedã médio é quase “obrigatório” ter opção de motor 2.0. A Toyota entendeu isso há algum tempo e, hoje, cerca de 70% das vendas do Corolla são da versão 2.0 flex. Resumindo: faltava um 2.0 ao Civic. E a Honda não só acaba de lançá-lo, como aprimorou seu sistema flex.
Confira as fotos do novo Honda Civic 2.0 flex

Motor 2.0 foi desenvolvido a partir do 1.8 flex e gera 155 cv e 19,5 kgfm de torque (Crédito: Caio Mattos)
Tchau tanquinho — O motor 2.0 do Civic marca a estreia do conceito “flex-one”, que dispensa o tanquinho de gasolina alojado no compartimento do motor — só as versões 1.8 flex mantém o reservatório que auxilia a partida nos dias frios. O novo sistema usa velas aquecedoras para pré-aquecer o etanol antes de o combustível ser injetado nas câmaras de combustão do motor, quando a temperatura externa é inferior a 20°C.
Na prática, a extinção do tanquinho deixará a vida dos donos do Novo Civic menos trabalhosa, já que não será mais necessário abastecê-lo de tempos em tempos com gasolina. A solução também favoreceu a engenharia, pois, segundo a Honda, não foram necessários ajustes na suspensão dianteira e nos freios — a eliminação do antigo sistema de partida a frio compensou o peso do aumento da cilindrada do motor.

Sedã está mais forte e silencioso nas acelerações e retomadas com motor 2.0 flex (Crédito: Caio Mattos)
Mais potente da categoria — Durante a apresentação do modelo, a Honda ressaltou o ganho de 15 cv no motor 2.0 (155 cv) em relação ao 1.8 (140 cv) — do qual é derivado. A máxima, com etanol, faz do Civic o sedã médio — com motor aspirado — mais potente do País. Mas segundo o engenheiro mecânico e supervisor de relações públicas da montadora, Alfredo Guedes, esse aumento é mais notado em altos giros.
Para tentar perceber a diferença, R7 Carros testou a versão 2.0 flex e a 1.8 flex — que agora tem câmbio manual de seis marchas em vez de cinco. Em termos de força, há sim maior disposição do 2.0, sobretudo em retomadas e quando se trafega em alta velocidade. No trânsito do dia-a-dia, a diferença é quase nula. Neste primeiro contato, o que mais chamou a atenção foi o conforto acústico no 2.0, que é gerenciado apenas pelo câmbio automático de cinco marchas.
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A diferença de ruídos e vibrações nos dois modelos é sensível. O Civic 1.8 acelera bem, retoma com vontade, mas trabalha com giros mais altos a maior parte do tempo. O ronco na cabine é notavelmente mais intenso, mas nada que comprometa o conforto a bordo. Já na parte dinâmica, de fato não há disparidades. A suspensão mais rígida — comum nos Honda — filtra bem o asfalto rugoso e transmite segurança ao volante.
No geral, o Civic segue como referência em conforto, qualidade de montagem e sofisticação. Seu painel “double deck” é envolvente e hiper informativo. E na versão top EXR (R$ 83.890) o som dá lugar a uma tela de LCD sensível ao toque, integrada ao centro do painel e que “conversa” com a outra tela no topo do painel, posicionada junto ao velocímetro. Ali são exibidas, por exemplo, informações do GPS.

Versão "top" EXR tem teto solar e a vistosa tela de LCD no centro do painel (Crédito: Caio Mattos)
Chave e tampa mais "chiques" — A Honda aproveitou as mudanças para corrigir alguns itens no Civic que foram alvo de reclamações de proprietários. A chave passa a ser do tipo canivete (bem mais bacana que a antiga), a tampa traseira agora tem revestimento em feltro e, na versão EXR, as alças (chamadas de “pescoço de ganso”) agora são cobertas com moldura plástica. Para completar, o Bluetooth passa a ser de série em todas as versões, com comandos no volante.
Tais mudanças são aparentemente discretas, mas devem ampliar as vendas do modelo, que agora ruma de vez para a liderança. Isso porque o arquirrival Corolla não tem perspectiva de receber grandes mudanças em 2013 — a nova geração só chegará em 2014. Ainda assim, a missão do Civic será bem difícil, como mostra a tabela abaixo, com seus sete rivais diretos. O preço "salgado" pode atrapalhar o Honda.
| Novo Honda Civic e seus sete rivais diretos: disputa acirrada |
| Confira os preços e detalhes técnicos das versões "tops" dos principais sedãs médios à venda no Brasil |
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| COMPARATIVOS |
Motor |
Potência (cv)
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Torque (kgfm) |
Câmbio |
Direção |
Dimensões |
Porta -Malas |
Preço (R$)
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| Honda Civic EXR |
 |
2.0 16V SOHC i-VTEC flex |
150/155 a 6.300 rpm |
19,3/19,5 a 4.800 rpm |
Automático, 5 marchas |
Elétrica |
4,52 m (comprimento), 1,75 m (largura), 1,45 m (altura), 2,67 m (entre-eixos) |
449 litros |
83.890 |
| Toyota Corolla Altis |
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2.0 16V DOHC Dual VVT-i flex |
142/153 a 5.800 rpm |
19,8/20,7 a 4.800 rpm |
Automático, 4 marchas |
Elétrica |
4,54 m (comprimento), 1,76 m (largura), 1,48 m (altura), 2,60 m (entre-eixos) |
470 litros |
82.280 |
| Chevrolet Cruze LTZ |
 |
1.8 16V DOHC Ecotec flex |
140/144 a 6.300 rpm |
17,8/18,9 a 3.800 rpm |
Automático, 6 marchas |
Elétrica |
4,60 m (comprimento), 1,69 m (largura), 1,47 m (altura), 2,68 m (entre-eixos) |
450 litros |
78.050 |
| Renault Fluence GT |
 |
2.0 16V turbo gasolina |
180 a 5.500 rpm |
30,6 a 2.250 rpm |
Manual, 6 marchas |
Elétrica |
4,62 m (comprimento), 1,81 m (largura), 1,47 m (altura), 2,70 m (entre-eixos) |
530 litros |
80.640 |
| Peugeot 408 Griffe THP |
 |
1.6 16V turbo gasolina |
165 a 1.400 rpm |
24,5 a 1.400 rpm |
Automático, 4 marchas |
Eletro-hidráulica |
4,69 m (comprimento), 1,81 m (largura), 1,52 m (altura), 2,71 m (entre-eixos) |
526 litros |
76.990 |
| Ford Focus sedã Titanium |
 |
2.0 16V Duratec flex |
143/148 a 6.250 rpm |
18,8/19,5 a 4.250 rpm |
Automático, 4 marchas |
Eletro-hidráulica |
4,48 m (comprimento), 1,84 m (largura), 1,49 m (altura), 2,64 m (entre-eixos) |
526 litros |
71.300 |
| Hyundai Elantra GLS |
 |
1.8 16V DOHC CVVT gasolina |
150 a 6.500 rpm |
18,1 a 4.700 rpm |
Automático, 6 marchas |
Elétrica |
4,53 m (comprimento), 1,77 m (largura), 1,44 m (altura), 2,70 m (entre-eixos) |
420 litros |
81.660 |
| Volkswagen Jetta Highline |
 |
2.0 16V turbo gasolina |
200 a 5.100 rpm |
28,5 a 1.700 rpm |
Automático, 6 marchas |
Hidráulica |
4,64 m (comprimento), 1,76 m (largura), 1,48 m (altura), 2,60 m (entre-eixos) |
510 litros |
86.290 |
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