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Publicado em 30/03/2013 às 17h00

Por R$ 35.990, Chery Celer é completão e tem bom motor; você levaria o chinês?

Aceleramos a versão hatch, que responderá por 75% do mix de vendas do compacto; Celer chega importado e produção no Brasil começa no primeiro trimestre de 2014

Chery Celer 1Rafael Munhoz

Chery Celer chega importadonas versões hatch e sedã, com status de carro nacional

Veja mais fotos do Chery Celer

 
Diogo de Oliveira, de Atibaia (SP)*

Toda vez que vou dirigir um carro chinês fico mais curioso que de costume. Os chineses fabricam carros há muito pouco tempo em comparação com marcas tradicionais, como a norte-americana Ford ou a alemã Volkswagen. Será que já aprenderam a fazer veículos de qualidade? Essa é sempre a primeira pergunta que vem à minha cabeça. E foi com ela que entrei no novo Chery Celer. O modelo é a maior aposta da marca chinesa. Será fabricado no Brasil em 2014.

Nesses tempos de globalização, comprar um carro que é produzido localmente é vantagem. Ao menos na teoria, significa que se você se envolver (ou for envolvido) em uma batida de trânsito, não ficará semanas esperando por uma peça. Significa também que será mais fácil resolver qualquer problema técnico ou mecânico que surgir, afinal há lojas credenciadas em todo o País. Na tese, parece um bom negócio. E ainda há garantia total de três anos. Curtiu?

Chery Celer 2
Linhas do Chery Celer são assinadas pelo estúdio italiano Torino Design (Crédito: Rafael Munhoz)

Completão e com design italiano

O Celer tem ainda várias outras vantagens — é um carro competitivo, não há como negar. Vem com ar-condicionado, direção hidráulica, “trio” elétrico, airbags frontais, freios com ABS e distribuidor eletrônico EBD, chave tipo canivete, alarme antifurto, faróis de neblina, rádio/CD com entrada USB, ajuste de altura do facho dos faróis, rodas de liga leve aro 15 e sistema "Siga-me Até em Casa", que mantém os faróis acesos por segundos após travar as portas.

Outro aspecto interessante é o design. As linhas são do respeitado estúdio italiano Torino Design. Sua carroceria tem vincos marcantes nas laterais e nos para-lamas, conferindo visual robusto, moderno e arrojado. No geral, os traços são mais elegantes que ousados. Por dentro, ponto positivo para o acabamento. Perto dos Chery QQ e Face, o Celer é bem mais interessante. As peças se encaixam direito, há raras rebarbas e as formas e texturas agradam.

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Painel não revoluciona em estilo, mas agrada por ser funcional e bem acabado (Crédito: Chery)

Simplicidade do interior agrada

No centro do painel, há botões para abrir a tampa do porta-malas, acionar o desembaçador do vidro traseiro e ligar o ar-condicionado e a recirculação do ar. Todos ficam discretamente posicionados ao redor do comando central, solução que deixou o desenho mais limpo. Mesmo assim, vale dizer, o interior do Celer é modesto e lembra a linha Palio, da Fiat. As molduras prateadas no console, no volante e nas portas contrastam o tom mais escuro do painel.

O quadro de instrumentos segue a forma e é bem simples, como vocês podem conferir na foto. Há quatro relógios — dois pequenos nas pontas e dois maiores ao centro, para velocímetro e conta-giros — e uma tela de cristal líquido central, onde são informados os dados do computador bordo. O estilo é sem estilo (preto no “âmbar”). Mas a simplicidade é agradável e torna a experiência ao volante mais intuitiva. Não há nada que distraia ou exija do motorista.

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Apesar de despojado, quadro de instrumentos do Celer oferece fácil leitura (Crédito: Chery)

Acelerando o Celer

Segundo a Chery, o nome do hatch compacto vem do latim “celere”, que significa rápido, ágil. Mas o motor 1.5 Acteco flex — com sistema fornecido pela Delphi — não ajuda muito, mesmo rendendo bons 108 cv. Na prática, o hatch chinês acelera e retoma bem, mas o torque máximo só aparece com vitalidade aos 3.000 rpm, faixa em que os 14 kgfm são despejados por inteiro. Aos 2.500 giros, a energia não empolga — tanto que a Chery nem informou o zero a 100 km/h.

Em movimento, o Celer pareceu equilibrado nas retas. Já nas curvas, a suspensão macia deixa a carroceria inclinar mais que o desejável, comprometendo o desempenho nas manobras. Ao volante, o que mais me surpreendeu foi o câmbio. Os engates precisos e o curso agradável (nem longo, nem curto) enterrou a lembrança ruim do Cielo — médio vendido nas carrocerias hatch e sedã. A decepção ficou com o freio, que precisa ser afundado para funcionar bem.

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Hatch inclina muito nas curvas, mas tem boa disposição com motor 1.5 flex (Crédito: Rafael Munhoz)

Importado, com status de nacional

Um dos pontos altos do Celer (além do fato de ser completão e acessível) é o espaço interno. Com mais de 2,5 metros de entre-eixos, o compacto oferece ótimos vãos para pernas e cabeças na frente e atrás. A suspensão foi recalibrada pela engenharia da Chery do Brasil para ficar mais firme. Mas mesmo endurecendo o conjunto de molas e amortecedores, o Celer roda macio e privilegia a suavidade. Os bancos também merecem elogio. São amplos e agradáveis.

O motorista ainda conta com ajuste de altura do assento, algo ainda hoje nem sempre disponível de série. A Chery sem dúvida trabalhou forte para deixar o Celer “no ponto”. Mais de 140 itens da versão “brasileira” foram modificados. A previsão inicial de vendas é acanhada (7.000 unidades/mês), mas a fábrica em Jacareí terá capacidade para entregar de imediato 50 mil carros. É um volume bem alto, difícil de ser atingido. Mas houve investimento polpudo.

Vender carros em grande escala no Brasil não é tarefa fácil. Mesmo com um produto aparentemente melhor acabado, é preciso ter uma rede imponente e capacitada. A Chery diz que possui 80 lojas espalhadas pelo País. Ainda é pouco para os 150 mil modelos que a fábrica em Jacareí (SP) poderá produzir quando estiver 100%. O Celer é apenas o começo para a Chery — e é um bom começo! Mas a marca (e seus carros) ainda têm muito a evoluir.

* O jornalista viajou a convite da Chery

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Ficha técnica
Chery Celer hatch 1.5 16V flex
 
Motor 1.5 16V Acteco flex
Potência 108 a 6.000 rpm (G)
Torque 14 a 3.000 rpm (G)
Câmbio Manual, cinco marchas
Direção Hidráulica
Dimensões (metros) 4,14 m (comprimento), 1,68 m (largura), 1,49 m (altura), 2,53 m (entre-eixos)
Peso (kg) 1,200
Porta-malas (litros) 380
Tanque de combustível (litros) 50
Preço R$ 35,990
*A Chery não informou rendimento com Etanol (E)

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Torque de 14 kgfm do 1.5 flex demora a aparecer em baixos giros (Crédito: Diogo de Oliveira/R7)