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Publicado em 08/09/2011 às 08h10

Test-drive: BMW X1 é 'samba
do alemão doido', mas funciona

Modelo, que não se encaixa nas categorias tradicionais, mostra disposição nas ruas

BMW X1 GDivulgação

É um SUV? É uma perua? Não, o BMW X1 (a partir de R$ 115,9 mil) não é nada disso


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Lucas Bessel, do R7

Boa parte dos amantes de automóveis acredita que dirigir um BMW é diferente de guiar qualquer outro carro. Direção precisa e comunicativa, suspensão irretocável, motores (quase sempre) potentes e desenho ousado são características que deram aos modelos da montadora alemã uma fama difícil de ser questionada.

 

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Os rumos da BMW, no entanto, não estão livres de críticas, especialmente no que diz respeito à guinada em direção aos utilitários esportivos. É fato que muitos fãs da marca ainda torcem o nariz para modelos como X5 e X3. O que dizer, então, do famigerado X6, uma mistura de estilos que, embora bela, deu origem a um carro que não é excelente nem na cidade nem no off-road?

Por essa razão, eu estava curioso quanto aos cinco dias que passaria guiando o BMW X1 (a partir de R$ 115,9 mil), o irmão menor de toda essa linha de utilitários esportivos. A primeira questão - ainda não resolvida, aliás - era como classificar o carro. Não é grandalhão nem alto como um SUV. Tem o desenho de uma perua por fora, mas, por dentro, lembra muito um sedã. Difícil. Desisti. Resolvi adotar a denominação da própria BMW: para ela, o X1 é um SAV (Sport Activity Vehicle). Ok.

 

BMW X2 G

Para a BMW, X1 é um é um SAV (Sport Activity Vehicle); apesar da indefinição, desenho funciona (Divulgação)

 

Estranhamente belo

Ao contrário do que ocorre com a maioria dos carros, o BMW X1 é mais bonito ao vivo do que em fotos. A imponente grade frontal e o capô comprido casam bem com os faróis que saem das laterais e vão se afinando em direção ao centro. Embora estranhamente deslocado em quase todos os ambientes - especialmente quando visto de lado -, o modelo é capaz de chamar atenção nas ruas pelas razões certas.

Por dentro, o conforto característico dos carros da BMW está mais do que presente. A posição de dirigir é facilitada pelos bons ajustes dos bancos e pelo excelente posicionamento dos pedais. Quatro pessoas viajam como se estivessem em um sedã médio, mas o quinto passageiro fica apertado. No porta-malas, capacidade para 420 litros.

Entre os principais equipamentos, o X1 oferece bancos em couro, ar-condicionado digital automático, computador de bordo, teto solar panorâmico, controle de cruzeiro (piloto automático) e sistema auxiliar de estacionamento com câmera. Tudo embalado em um pacote que inclui acabamento impecável, com materiais de altíssima qualidade e montagem perfeita.

A primeira impressão, portanto, é excelente. Mas como será que o X1 se sai na hora de encarar as ruas e as estradas?

 

BMW X1 3 G

Interior é sóbrio, luxuoso e muito bem acabado, como em todo BMW (Divulgação)

Anda bem, freia melhor ainda

O R7 avaliou a versão de topo do BMW X1 (XDrive28i, R$ 199 mil). Dotado de tração integral e equipado com um motor 3.0 a gasolina de seis cilindros em linha, o carro produz 258 cv de potência, contra 150 cv do modelo mais barato (sDrive18i, equipado com um bloco de quatro cilindros 2.0). Não há dúvida de que essa diferença de motorização influencia - e muito - no desempenho do carro. O consumo combinado é de 10,7 km/l de gasolina.

O X1 mais caro vai de zero a 100 km/h em 6,7 s (são 10,4 s na versão sDrive18i). Essa cifra digna de carro esportivo pode assustar os clientes mais "tiozões", mas o fato é que todo o torque é entregue de maneira muito linear, civilizada, sem sustos ou sobressaltos. Ao afundar de uma vez o pé no acelerador, o câmbio automático de seis marchas reduz rapidamente e o que o motorista recebe é um belo empurrão nas costas, mas com controle absoluto da situação.

Os méritos dessa civilidade toda vão para - sempre ela - a parafernália eletrônica. Aliado a um excelente conjunto de suspensão, o sistema XDrive de tração integral usa as informações do controle de estabilidade para mandar a força exata necessária a cada eixo. Se o carro ameaça sair de frente, mais poder vai para as rodas de trás. Ou seja: tirar o BMW X1 da trajetória é realmente difícil.

Em um trecho sinuoso nos arredores de Salto, no interior de São Paulo, tivemos a chance de testar toda essa competência dinâmica. Sobe, desce, faz curva, acelera, se diverte e... lombada. Essa maldição da existência moderna não foi páreo para os freios do X1, que praticamente ancoram o carro ao chão quando o motorista pisa com força. Só não se assuste com o alto barulho do ABS em ação.

 

BMW X1 4 G

Espaço interno é comparável ao de um sedã médio; versão de topo tem motor V6 a gasolina (Divulgação)

Questão de estilo

Quase tudo parece muito bom no que diz respeito ao BMW X1, portanto. Na verdade, a única questão que fica em aberto não tem relação com o carro em si, mas com seu propósito, seu sentido de existir. Por que alguém compraria um X1 em vez de um sedã Série 3? A meu ver, a única resposta possível é: por estilo e por gosto.

O jeitão diferente do X1 tem muito mais a ver com imagem do que com objetivo. Claro que isso não é exclusividade da BMW, e claro que SUVs em geral dificilmente vão para a terra ou enfrentam a lama, ainda que tenham capacidade para tal. No caso do X1, no entanto, isso parece ainda mais óbvio por causa do porte pequeno.

Portanto, se alguém perguntar por que você comprou um X1, escolha qualquer uma das opções a seguir: "porque sim", "porque acho bonito" ou "porque é legal". Mas sempre acrescente no fim: "porque é um BMW". E isso ele realmente é.

 

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