Você está aqui: Página Inicial/Notícias/Carros/Notícias

NOTÍCIAS  

Publicado em 19/01/2013 às 02h17

Test-drive: Fiat Strada Cabine Dupla não atende nem a passageiros, nem a carga

Espaço pequeno no interior e na caçamba restringem mercado do modelo

StradaDivulgação

O objetivo da picape não é ruim, mas na prática ele se mostra complicado de ser cumprido


 
Rodrigo Ribeiro, do R7

Lembro até hoje quando um colega surgiu na escola com seu novo celular. Na época em que aparelhos de “banda digital” ainda eram novidade, o telefone oferecia uma inovação: poderia ser equipado com uma capa protetora do teclado (apelidada na época de flip) ou deixar os comandos expostos, de acordo com a preferência de seu dono. A ideia era nobre, mas não vingou e aquela alternativa ficou restrita apenas àquele modelo de aparelho, que logo foi descontinuado.

Essa história ajuda a ilustrar um pouco a situação da Fiat Strada Cabine Dupla. Primeira (e única) picape compacta do Brasil a oferecer espaço para quatro ocupantes, ela veio em 2009 para ocupar a garagem daqueles que levavam três ou mais pessoas ilegalmente nos modelos de cabine extendida.

No papel o projeto é interessante, com um carro razoavelmente barato (a partir de R$ 38.440) permitindo a seu proprietário levar bastante carga sem com isso penalizar sua família. O que ocorre na prática, porém, é um pouco diferente, como R7 Carros avaliou após sete dias a bordo da Strada Working Cabine Dupla.

Já com o visual atualizado, o modelo é a versão mais barata da linha Strada, oferecida nas variantes de cabine simples, estendida e dupla. Em comum nas três estão os poucos itens de série, sendo os principais o computador de bordo e o conta-giros — a Cabine Dupla também conta com janela traseira corrediça de fábrica.

Equipada com o básico (ar-condicionado e direção hidráulica), a Strada Working CD pula para R$ 42.430, valor que inclui vidros e travas elétricas e volante com regulagem de altura. Capota marítima (R$ 679), rádio (R$625) e para-choque dianteiro na cor da carroceria (R$ 212) podem ser adquiridos caso o carro seja usado tanto para trabalho quanto para lazer.

Mas se este for o caso de um proprietário desta Strada, ele terá nas mãos um grande mico — ou melhor, pato. Tal qual como a ave, este Fiat não cumpre satisfatoriamente nem a tarefa de ser um carro de trabalho, nem um de família.

Como a cabine foi ampliada sem aumentar o comprimento total da Strada, quem saiu penalizada foi a caçamba, cujo volume é de 580 litros (contra 1.100 da cabine simples e 800 da estendida). Soma-se isso o fato das caixas de roda e do estepe diminuírem a área útil e você tem uma picape nada prática para levar cargas volumosas.

Agora vamos olhar a cabine. Cuidado ao entrar, pois mesmo com os bancos dianteiros rebatíveis sentar no banco traseiro é uma tarefa que exige alguns malabarismos. Acomodado, torça para que os passageiros dianteiros não tenham 1,75 m nem sejam daqueles que gostem de por o banco para trás. Se este for o caso, é melhor se despedir de seus joelhos logo.

Não é uma picape muito útil, nem um carro de passeio espaçoso. Mas, mesmo assim, há gente interessada em uma Strada Cabine Dupla — a Fiat não divulga as vendas individuais do modelo, que são misturadas à das outras versões no ranking de vendas. Agora se é para levar suas bagagens dentro da cabine com cinto de segurança ou evitar que aquele cunhado chato peça o carro para ajudar na mudança, não dá para saber.