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Publicado em 05/12/2012 às 01h30

Ford EcoSport automático aposta na tecnologia para superar Renault Duster

Modelo é o primeiro nacional a receber um câmbio automatizado de dupla embreagem

EcoDivulgação

Mesma cara de mau, mas com mudanças mecânicas para desbancar o arquirrival Renault Duster

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Rodrigo Ribeiro, em Bragança Paulista (SP), do R7*

Popularizada pelo grupo Volkswagen, a transmissão automatizada de dupla embreagem ganhou o coração dos engenheiros (e a garagem dos mais abonados) por oferecer o desempenho de uma caixa manual com o conforto de uma automática. Não à toa, ela equipa modelos como Bugatti Veyron e Porsche 911. E esse será o principal argumento que a Ford usará para vender o novo EcoSport automático, pioneiro desta tecnologia fabricado no Brasil.

O modelo já chegou às lojas em duas versões: a SE, que parte de R$ 63.990, e a Titanium, por R$ 70.890. O único opcional do modelo são os bancos de couro associados a airbags laterais e de cortina, por R$ 3,7 mil a mais. Ambas são equipadas com o motor 2.0 flex de até 146 cavalos ligado à transmissão automatizada de dupla embreagem e seis marchas.

Piscada sonolenta
A vantagem da transmissão, chamada de PowerShift, é justamente a presença das duas embreagens, que permitem a possibilidade de duas marchas estarem engatadas ao mesmo tempo. Ou seja: quando você está usando a segunda marcha a terceira já está engatada, bastando apenas o sistema acoplar uma embreagem e desacoplar outra.

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Por fora a única diferença do EcoSport PowerShift está no logotipo no porta-malas (Crédito: Divulgação)

De acordo com a Ford a tecnologia permite que as marchas do EcoSport sejam trocadas em 0,2 segundos, ou a metade do tempo necessário para piscar o olho. Isso é rápido, mas se comparada com as transmissões DSG da Volkswagen essa piscada está mais para uma “pescada”, quando alguém está prestes a cair no sono.

Explica-se: enquanto o PowerShift usado pela Ford e Volvo troca de marcha em 0,2 s, o DSG faz o mesmo em 0,008 s. A diferença se dá por algumas tecnologias diferentes, em especial na embreagem, que é mergulhada em óleo nos Volks e a seco na Ford. Claro que no dia a dia essa “lentidão” é imperceptível, mas outras coisas denunciam o projeto mais simples do EcoSport.

Indecisão
Durante o test-drive feito por R7 Carros em um trajeto urbano e rodoviário o EcoSport automático reforçou as virtudes da transmissão automática, com trocas rápidas e suaves. Porém basta ao motorista pisar um pouco mais no acelerador que o SUV demonstra parte de suas incertezas.

Ao iniciar uma retomada de 80 km/h a 120 km/h, por exemplo, a transmissão reduziu de sexta para quinta, e só então engatou a quarta marcha, provocando um leve tranco durante o processo. O problema se deve mais à programação da caixa do que sua estrutura em si, possibilitando uma eventual correção da Ford nos próximos meses. Contudo o comportamento afasta o PowerShift do panteão encabeçado pelo DSG e o aproxima dos automáticos convencionais.

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Interior moderno peca no acabamento. Câmbio permite trocas sequenciais na alavanca (Crédito: Divulgação)

E é justamente esse câmbio que equipa o Duster automático, o único rival direto do EcoSport. Com preço sugerido de R$ 61.550, o jipinho paranaense se beneficia pelo preço inferior e conjunto mecânico já conhecido pelos concessionários da marca. Pesa contra a lista menor de itens de série: controle de estabilidade e tração, partida do carro sem chave e opção de seis airbags são exclusivos do EcoSport, ainda que só o Duster possa ter GPS embutido no painel.

Pré-série
O Duster, contudo, supera o EcoSport automático no acabamento interno. Ainda que o Ford ganhou um visual mais moderno e ousado em sua nova geração, ele segue com o uso de materiais abaixo da média para o segmento, com peças mal-encaixadas e com rebarbas. O forro do teto (que não tem alças de apoio nas versões de seis airbags) permite inclusive que o passageiro possa acessar facilmente a fiação interna e as bolsas infláveis.

Na primeira aparição da versão de produção do Ford a marca afirmou que as falhas se deviam ao fato das unidades serem pré-série — protótipos feitos para adequar a linha de montagem e que não são vendidos ao público. Contudo as escorregadas permanecem e podem pesar contra o EcoSport após sua aura de novidade acabar. Até lá a Ford pode precisar rever a versão PowerShift para não ser superada pelo tradicional câmbio automático do Duster.

*Viagem feita a convite da Ford do Brasil

EcoSport aposta em tecnologia inédita para bater concorrência
Modelo é o primeiro nacional a ter câmbio de dupla embreagem
 
  Ford EcoSport 2.0
PowerShift
Renault Duster 2.0
Automático
Citroën AirCross 1.6
Automático
Motor 2.0 16V 2.0 16V 1.6 16V
Potência 146 cv / 140 cv (E/G) a 6.250 rpm 142 cv / 138 cv (E/G) a 5.500 rpm 122 cv a 5.800 rpm / 115 cv (E/G) a 6.000 rpm
Torque 19,7 kgfm / 18,9 kgfm (E/G) a 4.250 rpm 20,9 kgfm / 19,7 kgfm (E/G) a 3.750 rpm 16,4 kgfm / 15,5 kgfm (E/G) a 4.000 rpm
Câmbio Automatizado de dupla embreagem, seis marchas Automático, quatro marchas Automático, quatro marchas
Dimensões 4,24 m (comprimento)
1,70 m (altura)
1,76 m (largura)
2,52 m (entre-eixos)
4,31 m (comprimento)
1,66 m (altura)
1,82 m (largura)
2,67 m (entre-eixos)
4,28 (comprimento)
1,70 (altura)
1,72 (largura)
2,54 (entre-eixos)
Passageiros 5 5 5
Porta-malas 362 litros 475 litros 403 litros
Peso 1.243 Kg 1.276 Kg 1.436 Kg a 1.446 kg
Preço R$ 79.370 R$ 61.550 (Dynamique) a R$ 62.150 (Tech Road) R$ 57,6 mil (GLX) a R$ 64,2 mil (Exclusive)
Garantia 3 anos 3 anos 3 anos