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Publicado em 14/09/2012 às 05h30

Test-drive: Hyundai HB20 é a boa
surpresa que vem do interior

Hatch da marca sul-coreana custa a partir de R$ 31.995 e agrada ao volante

HB20 1 GAtaide Alba/Divulgação

A "escultura fluida", com linhas vincadas que começam nos faróis, está presente no popular HB20

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Lucas Bessel, do R7

O povo quer carro bonito. Basta ver as reações dos fãs do Portal R7 no Facebook às primeiras fotos do Hyundai HB20 para perceber isso. “Luxo!”, exclama um. “Popular e lindo desse jeito?”, duvida outra. Pois é: popular, atraente e com preço competitivo. A receita para o sucesso parece estar pronta. Será?

O Hyundai HB20, hatch feito na recém-inaugurada fábrica da marca sul-coreana em Piracicaba (SP), tem preço inicial de R$ 31.995. Esse é o valor da versão 1.0 Comfort, que vem de série com direção hidráulica, ar-condicionado, air bag duplo e computador de bordo. A estratégia é clara: chegar ao mercado com um carro relativamente bem equipado e preço interessante. No futuro, haverá um modelo “pelado” por algo em torno de R$ 28 mil.

Os motores flex que empurram o carro são conhecidos, emprestados do Picanto e do Soul, da Kia. O bloco 1.0 três cilindros gera até 80 cv de potência e 10,2 kgfm de torque a 4.500 rpm. Já o 1.6 produz até 128 cv e 16,5 kgfm a 5.000 rpm. Eles estão entre os mais fortes do mercado e trazem como diferencial o comando variável de válvulas, que melhora desempenho e consumo. O câmbio pode ser manual de cinco velocidades ou automático de quatro (apenas no 1.6).

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Conheça os concorrentes do HB20

A estratégia de preços foi claramente pensada para “caçar” Gol, Palio e Toyota Etios, que chega na próxima semana. A marca quer se destacar, ainda, pelo pós-vendas. Para isso, oferece cinco anos de garantia sem limite de quilometragem. Veja os valores de cada versão:

- HB20 1.0 Comfort: R$ 31.995
- HB20 1.0 Comfort Plus: R$ 33.995
- HB20 1.0 Comfort Style: R$ 37.995
- HB20 1.6 Comfort: R$ 36.995
- HB20 1.6 Comfort Plus: R$ 38.995
- HB20 1.6 Comfort Style: R$ 42.995
- HB20 1.6 Comfort Style automático: R$ 45.995
- HB20 1.6 Premium: R$ 44.995
- HB20 1.6 Premium automático: R$ 47.995

Ao modelo Comfort, a versão 1.0 Plus acrescenta alarme, vidros e travas elétricas e desembaçador traseiro. Já o modelo 1.0 Style ganha freios ABS, faróis de neblina, volante com regulagem de altura e profundidade, retrovisores elétricos com pisca integrado, rodas de liga leve 14 polegadas, sistema de áudio e detalhes na cor da carroceria. O modelo 1.6 Comfort tem, além dos itens da versão 1.0, freios ABS com EBD. Os modelos 1.6 Plus e Style têm os mesmos equipamentos de seus equivalentes 1.0. O HB20 Premium (apenas 1.6) tem faróis com acendimento automático, sensores de estacionamento, ar-condicionado com eliminador de mau cheiro, volante revestido em couro, painel em duas tonalidades e rodas em alumínio de 15 polegadas. Como opcional para as versões Comfort e Comfort Plus, a Hyundai oferece sistema de som por R$ 995.

HB20 2 G

Para-choques avantajado faz o Hyundai HB20 parecer mais largo (Ataide Alba/Divulgação)

Por dentro

Com 2,5 m de entre-eixos, 3,9 m de comprimento, 1,68 m de largura e 1,47 m de altura, o HB20 tem dimensões bastante similares às da concorrência. A impressão de quem senta na frente, no entanto, é de certo aperto, principalmente por causa do para-brisa bastante inclinado, o que aproxima o carro do condutor.

Atrás, dois adultos conseguem viajar com relativa tranquilidade, mas o ocupante do meio vai sofrer (muito) com o espaço exíguo e com a falta de encosto de cabeça.  A boa notícia fica por conta do espaço vertical, suficiente até para pessoas com 2 m de altura. O porta-malas, de 300 litros, também é equivalente ao dos competidores. Ou seja, carrega a maioria dos itens do dia-a-dia, mas não comporta bagagens volumosas.

A posição de dirigir, favorecida pelo volante com ajustes de altura e profundidade das versões mais caras, é surpreendente, mais baixa e esticada do que parece à primeira vista. Porém, a regulagem de altura do banco, feita por meio de um inadequado controle giratório, e do encosto, sem ajuste milimétrico, evidenciam a tentativa de baratear o projeto.

O acabamento tem tudo para se tornar a nova referência do segmento. Encaixes bem realizados, mescla de cores, desenho moderno e apliques de tecidos nas versões de topo causam excelente impressão. É como estar dentro de um Elantra ligeiramente menos chique. Bom destaque também para os bancos, rígidos na medida certa e comparáveis aos do Volkswagen Fox.

Embora possa ser equipado com um completo rádio/CD/MP3/USB, o Hyundai HB20 não oferece a opção de conexão Bluetooth para telefone. Pelo volante, o motorista pode comandar apenas o sistema de áudio. Além disso, falta o controle de cruzeiro, recurso barato e útil que poderia ser mais um diferencial do carro feito em Piracicaba (SP).

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Acabamento interior tem tudo para se tornar referência no segmento (Divulgação)

Rodando

O R7 testou o Hyundai HB20 com motorização 1.0 e 1.6 e câmbios manual e automático em trechos predominantemente rodoviários, mas com um pedaço de buraqueira braba.

A primeira constatação é que o modelo com transmissão automática só deve virar a escolha de quem realmente quiser descansar o pé esquerdo. A caixa de quatro marchas é lenta e antiquada, o que resulta em grande perda de desempenho. A aceleração de 0 a 100 km/h do modelo 1.6 passa de bons 9,3 segundos (é o mais rápido nessa faixa de preço) para 11,4 segundos com etanol (números da fábrica).

Por outro lado, merece elogios a disposição com que o conjunto mecânico do HB20 1.6 manual trabalha. O casamento entre motor e câmbio está entre os melhores vistos nos últimos tempos. Supera com facilidade Fiat Palio, Renault Sandero e Chevrolet Agile. Em termos de precisão de encaixes das marchas, a melhor comparação é com o próprio Volkswagen Gol, referência no assunto.

Como é característico dos motores 16V, o HB20 1.6 pede rotações mais altas para mostrar a que veio. A potência total de 128 cv (etanol) só aparece a 6.600 rpm. Isso, no entanto, não se reflete em desconforto para os ocupantes, graças ao excelente isolamento acústico, que também garante que a maior parte dos ruídos de vento fique do lado de fora.

Com propulsor 1.0, a diversão é claramente menor, já que o 0 a 100 km/h pula para 14,9 segundos (etanol). Má notícia? Nem tanto. Para um motor aspirado de três cilindros e baixa cilindrada, os 80 cv de potência e 10,2 kgfm de torque são notáveis. A Hyundai não divulgou o consumo, mas, no trajeto feito pelo R7 com o pé embaixo, o computador marcava 7,6 km/l com uma mistura de etanol e gasolina, sempre com ar-condicionado ligado. É de se esperar que, em uma condução mais suave, esse número seja significativamente melhor.

Além disso, se não emociona no desempenho, o 1.0 três cilindros do HB20 retribui no som, com um gostoso ronco grave que em nada lembra um cortador de grama, mas remonta a uma bem acertada motocicleta.

Talvez isso até compense a falta de esportividade da direção, que, de tão leve, parece até ser elétrica. Excelente para manobras ou condução em baixa velocidade, ela deixa de ser boa em altas velocidades, já que transmite pouca segurança ao motorista, que não se sente “conectado” ao carro.

A suspensão, que, a julgar pelo interesse de um dos engenheiros sul-coreanos com quem conversamos, é um dos pontos de maior atenção no projeto, atingiu um bom meio termo entre maciez e rigidez, algo necessário nas maltratadas ruas do Brasil. O conjunto é mais suave que o do Gol, o que pode explicar as pancadinhas que os amortecedores levaram em um trecho de buraqueira. Em curvas fechadas, no entanto, a segurança foi total.

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Faróis e lanternas são os principais elementos de design no exterior do HB20 (Ataide Alba/Divulgação)

Mercado

Pelo conjunto da obra, o Hyundai HB20 hatch mostra plena capacidade de atingir as vendas de 90 mil unidades projetadas para o próximo ano, que verá também a chegada de uma variante sedã e de um SUV compacto derivado da mesma plataforma.

Só tome cuidado para escolher a loja certa na hora de comprar o seu. Sim, porque no caso do HB20, há loja certa e loja errada. As concessionárias com portas cinzas (do grupo Caoa) venderão apenas os carros importados (Santa Fe, Azera, Veloster e outros) e o Tucson, montado em Goiás. Já as revendas com portas azuis ficarão responsáveis pela comercialização do novo hatch (serão 200 até o fim de 2013, garante a Hyundai).

Esse arranjo estranho deve durar mais alguns anos, enquanto for válido o contrato da Caoa para comercializar os modelos importados. É uma pena. O Hyundai HB20, essa bela surpresa sul-coreana vinda do interior de São Paulo, bem que merecia uma rede de distribuição completona.