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Publicado em 19/08/2011 às 10h10

Test-drive: Range Rover Evoque é
bem mais do que só uma carinha bonita

Menor modelo da marca chega ao Brasil em novembro custando menos de R$ 180 mil

Evoque 1 GDivulgação

Carro urbano, que parece um SUV, mas também se comporta como hatch: esse é o Range Rover Evoque


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Lucas Bessel, do R7, em Liverpool (Inglaterra)*

Dê uma boa olhada no desenho do novo Range Rover Evoque. Poucos veículos conseguiram herdar de maneira tão fiel e harmoniosa as linhas de um carro-conceito (o LRX, apresentado em 2007) quanto ele, o que por si só já é um fato notável.

Também pudera: o menor e mais urbano dos veículos da marca inglesa foi concebido para se tornar o sonho de consumo de quem mora nas cidades, ambiente em que beleza e status são fundamentais, especialmente no mercado de carros de luxo. 

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Engana-se, no entanto, quem pensa que a Range Rover - marca mais cara do grupo Land Rover - abandonou seu DNA off-road. Como o R7 pôde comprovar durante dois dias de testes entre a região de Anglesey, no País de Gales, e a cidade de Liverpool, na Inglaterra, o Evoque tem os recursos necessários para encarar uma boa trilha e encantar até lama e pedras com seu desenho moderno.

Para os endinheirados compradores de Range Rovers, a notícia também é boa. Embora o preço final para o Brasil ainda não tenha sido definido, o diretor-presidente da Jaguar Land Rover para América Latina e Caribe, Flávio Padovan, confirmou que o Evoque custará "menos de R$ 180 mil" por aqui. Claro que é uma bolada, mas também é o mais barato dos luxuosos carros da marca. Ele chega ao país em novembro.

Evoque 2 G
Linha ascendente da cintura dá visual robusto e agressivo ao Range Rover Evoque (Divulgação)

Só gasolina, muitos equipamentos
Embora conte com diversas versões a diesel no exterior, o Range Rover Evoque que virá ao Brasil será equipado apenas com um moderno motor 2.0 turbo a gasolina, que gera bons 240 cv de potência e 34,6 kgfm de torque. Tração 4x4 e câmbio automático com trocas de marchas no volante são de série. O consumidor poderá escolher entre a carroceria de duas ou de quatro portas.

Montado sobre a plataforma do Land Rover Freelander 2, o Range Rover Evoque traz uma extensa lista de equipamentos, que inclui sete airbags, freios ABS com controle de distribuição, ar-condicionado digital com duas áreas de temperatura, cinco câmeras para monitoramento externo, faróis adaptativos, bancos dianteiros com ajustes elétricos e sistema de entrada e partida sem chave.

Como é tradição nos veículos da Range Rover, os sistemas eletrônicos que ajudam na segurança e na condução em terrenos complicados também estão presentes. O principal deles é o Terrain Response, que adapta as respostas do motor, da caixa de embreagem, da acoplagem central e dos sistemas de frenagem/estabilidade para atender às demandas do terreno. As configurações são: Direção Geral (estrada e off-road simples), Grama/Cascalho/Neve (condições escorregadias, dentro e fora da estrada), Lama/Atolamento e Areia.

Os sistemas eletrônicos também são responsáveis por monitorar estabilidade, rolamento, tração, arranque em subida (para que o carro não ande para trás) e velocidade de descida em condições off-road, como em alguns dos morros íngremes que enfrentamos no País de Gales.

Evoque 3 G
Modelo se manteve fiel ao carro-conceito LRX, apresentado pela primeira vez em 2007 (Divulgação)

Vida real
Não há dúvida de que o primeiro aspecto que chama a atenção no Evoque é o seu visual. A linha de cintura, que se eleva e ameaça encontrar o final do teto descendente, dá aspecto robusto e agressivo. Os faróis finos invadem a lateral e são adornados por belas luzes diurnas de LED, como manda a tendência mundial. A aparência geral é de um SUV, embora a posição de dirigir se assemelhe à de um hatch.

Por dentro, o deleite visual é menor, embora não falte luxo. O painel tem iluminação predominantemente branca, com uma tela de LCD no meio, que exibe as informações do completíssimo computador de bordo. O console central, com acabamento em alumínio escovado, abriga os controles do ar-condicionado e o seletor do câmbio, que se ergue quando o carro é ligado. Acima fica o sistema touchscreen que exibe os mapas de navegação, os controles e áudio e as imagens das cinco câmeras, entre outros.

A impressão geral é de acabamento primoroso, que tem muito couro e plástico emborrachado andando juntos. Com 4,36 m de comprimento, 1,63 m de altura, 1,96 m de largura e 2,66 m de entre-eixos, o Evoque não é grande, mas transporta bem quatro pessoas. Passageiros mais altos podem ter dificuldade no banco de trás por causa do teto descendente, que também limita a visão pelo vidro traseiro. Além disso, o motorista vai notar que o espaço para as pernas é apenas mediano, especialmente no que diz respeito ao apoio para o pé esquerdo.

Evoque 4 G
Interior é luxuoso e bem-acabado, mas espaço para as pernas do motorista deixa a desejar (Divulgação)

Nas ruas, na lama, na água
Quando encarou as ruas de Liverpool, o Evoque mostrou que seu lado compacto também traz vantagens. A natural cautela gerada pela estranheza de se guiar na mão invertida (mão inglesa) pôde ser deixada um pouco de lado, já que o risco de dar com o retrovisor em outro veículo parecia menor. O belo teto panorâmico permitiu apreciar quase na totalidade a bela arquitetura da terra natal dos Beatles.

Outro aspecto que chamou a atenção foi o bom trabalho da suspensão, ao menos nas ruas perfeitas da Inglaterra. O Evoque é confortável sem ser molenga, e mais uma vez mostrou que pode se comportar como um SUV e também como um hatch.

Na rodovia, tivemos a chance de abusar mais do motor 2.0 a gasolina, que respondeu à altura. O bom trabalho com a transmissão automática de seis velocidades leva o carro de zero a 100 km/h em 7,6 segundos. Em relação ao modelo a diesel, o Range Rover Evoque que virá ao Brasil é mais rápido e mais silencioso. Só não é mais econômico, como já era esperado.

Quando encarou lama e pedras, subidas e descidas, o Evoque lembrou bastante o seu "primo pobre", o Land Rover Freelander 2. Com a providencial ajuda dos sistemas eletrônicos, que adaptam o carro ao terreno, não atolamos uma única vez, ainda que não tenham faltado oportunidades para isso.

Também foi notável a capacidade do carro de enfrentar terrenos alagados. Com água quase na altura do capô, bastou manter a pressão contínua e suave no acelerador para que o Evoque cruzasse o obstáculo sem sustos, com muita classe.

Evoque 5 G
Contra obstáculos, tecnologia: sistemas ajudam novatos a enfrentar terrenos difíceis (Divulgação)

Divisor de águas
Para o grupo Jaguar Land Rover, o Range Rover Evoque é um divisor de águas (sem trocadilhos com a situação retratada no parágrafo anterior). Embora as expectativas de vendas ainda sejam mantidas em segredo, foi possível ver, pelo lotado pátio da fábrica na região de Liverpool, que a produção já está a todo vapor.

Em conversa com o R7, executivos da marca inglesa confirmaram que o Evoque é o projeto mais importante, e também um dos mais caros, dos últimos dez anos. Por isso, ele tem a obrigação de dar certo. Nos próximos meses, a beleza e as capacidades do carro serão colocadas diante de sua verdadeira prova de fogo: o lançamento simultâneo em 160 países.

* O jornalista viajou a convite da Jaguar Land Rover do Brasil