Cidades

5/3/2013 às 21h28

Após prisão de anestesistas suspeitos de homicídio, hospital desmarcou 200 cirurgias

Médicos faziam parte da equipe de Virgínia Helena e estão presos desde o dia 23 de fevereiro

Do R7, com Jornal da Record

O Hospital Evangélico é um dos mais importantes de Curitiba Reprodução/Rede Record

Com três anestesistas a menos, o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba desmarcou 200 cirurgias programadas, desde o dia 24 de fevereiro, quando os médicos da equipe chefiada por Virgínia Helena Soares de Souza, de 56 anos, foram presos. Todos são, segundo a Polícia Civil, suspeitos de antecipar a morte de pacientes internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

O superintendente do hospital, Rogério Kampa, explicou que, com os anestesistas presos, outros profissionais foram remanejados para os procedimentos de emergência. Ele disse que até, no máximo, o fim de semana a situação estará normalizada. 

A UTI, que tem dez leitos, permanece fechade e deve reabrir ainda esta semana, segundo a assessoria de imprensa do hospital. O setor está passando por algumas reformas. 

A polícia entregou o inquérito na segunda-feira (4) ao Ministério Público do Paraná. A promotoria tem até a próxima segunda-feira (11) para decidir se denuncia os seis indiciados, se pede novas diligências ou se arquiva o caso. Na terça-feira (5), a polícia anunciou que mais uma médica, Krissia Wallbach, também foi indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha. Diferentemente dos outros, ela está solta.

A defesa de Virgínia informou que Krissia foi interrogada no dia 4 de fevereiro e que permaneceu em silêncio. O advogado da médica não foi localizado para comentar o caso.

Médicos protestam contra prisão de colegas no Paraná

O delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Michelotto, disse que as investigações vão continuar e que poderão ocorrer novas prisões, indiciamentos e outros inquéritos policiais serem instaurados.

Virgínia Helena aguarda o julgamento de um pedido de habeas corpus, o que pode acontecer na quinta-feira (7). 

Entenda o caso

A chefe da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (PR), um dos mais importantes do Paraná, foi presa no dia 19 de fevereiro por policiais do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde. Virgínia Helena Soares de Souza, de 56 anos, é suspeita de ter praticado eutanásia — antecipar a morte de pacientes internados na unidade.

As investigações começaram há um ano, após denúncias de funcionários do próprio hospital à ouvidoria do governo do Paraná. Ela foi indiciada por homicídio qualificado, por não haver chance de defesa das vítimas.

Gravações de telefonemas feitas com autorização da Justiça mostraram conversas da médica com outros médicos e demais funcionários. A polícia entendeu, após ouvi-las, que Virgínia ordenava o desligamento de aparelhos de alguns doentes.

Virgínia trabalhava na unidade há 24 anos. Ela era casada com o chefe da UTI, Nelson Mozachi, e assumiu o cargo quando ele morreu, em 2006.

Em nota divulgada no dia da prisão, o Hospital Universitário Evangélico disse que abriu sindicância interna para apurar os fatos, que reconhece a competência profissional de Virgínia e que “desconhece qualquer ato técnico dela que tenha ferido a ética médica”. Toda a equipe do setor foi trocada.

O CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná) manifestou preocupação com a “condenação pública” dos envolvidos sem que “sejam realmente avaliados e julgados por quem de direito”.

Por meio de carta, a médica se disse vítima de ex-funcionários. O filho dela, Leonardo Marcelino, e o advogado, Elias Mattar Assad, disseram que tudo “é um grande erro da polícia” e que as denúncias “são baseadas em depoimentos e não em provas”.

Apesar de estar na UTI do hospital desde 1998 e chefiar o setor há sete anos, Virgínia não era especialista na área. Segundo a polícia, quem assinava por ela como chefe da unidade era outro médico.

No dia 23 de fevereiro, a Justiça expediu quatro mandados de prisão para três médicos e uma enfermeira. Os anestesistas Edson Anselmo da Silva Júnior, Maria Israela Boccato e Anderson de Freitas foram levados à delegacia no mesmo dia. A enfermeira Laís Grossi se apresentou no dia 25 do mesmo mês.

Os médicos presos negam qualquer conduta antiética e foram orientados pelo advogado de Virgínia a ficarem calados. Foi iniciada uma investigação dentro do hospital, inclusive com membros do Ministério da Saúde, para constatar eventuais irregularidades praticadas pela médica ou por outros profissionais.

Nove dias após ser presa, Virgínia Helena foi transferida do Centro de Triagem para o presídio feminino de Piraquara, cidade na região metropolitana de Curitiba. Junto com ela, foi a médica Maria Israela Boccato, também suspeita de envolvimento nas mortes. 

Assista ao vídeo:

 

 

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