Cidades

28/1/2013 às 10h18 (Atualizado em 28/1/2013 às 14h41)

Após tragédia em Santa Maria (RS), dono de boate e integrantes de banda são presos

Delegado diz que prisões devem facilitar investigações; perícia está no local do incêndio

Do R7, com Hoje em Dia e com EFE

Corpos das vítimas do incêndio na boate Kiss em Santa Maria (RS) são velados no Ginásio Municipal de Esportes Evelson de Freitas/Estadão Conteúdo

Após incêndio que deixou ao menos 231 pessoas mortas em Santa Maria (RS), a polícia prendeu três pessoas na manhã desta segunda-feira (28). Segundo o delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pelo caso, as prisões devem facilitar as investigações.

— Três pessoas já estão presas temporariamente, já estão na delegacia pra prestar esclarecimentos, a fim de  viabilizar e facilitar o trabalho da investigação que está sendo realizada. 

Um dos donos da boate Kiss, que pegou fogo na madrugada de domingo (27) em Santa Maria, e dois músicos da banda que se apresentava na hora em que começou o incêndio estão presos, segundo fontes oficiais. Os pedidos de prisão, de caráter temporário de cinco dias, foram decretados pelo juiz Regis Adil Bertolin.

Uma quarta pessoa, que também teve prisão temporária decretada e seria o segundo proprietário da boate Kiss, ainda não foi encontrada.

Veja a cobertura completa da tragédia

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Ao menos 20 pessoas já foram ouvidas na delegacia. Na manhã desta segunda-feira, a polícia ainda fazia perícia no local, segundo o delegado.

— Os peritos começaram os trabalhos no dia de ontem e estão prosseguindo no dia de hoje. É um trabalho incessante para analisar exatamente várias questões que precisam ser esclarecidas como o local onde começou o incêndio, se é confirmável a versão que as testemunhas estão apresentando que foi produzido por instrumento pirotécnico utilizado pelos músicos do local e nós ainda vamos verificar a questão da segurança do local.

O equipamento que fazia imagens internas da boate sumiu, segundo o delegado.

Os corpos das vítimas começaram a ser enterrados na manhã desta segunda-feira (28). Ao todo, 34 serão sepultados no cemitério municipal e 23 no cemitério Santa Rita.

Ao menos 231 morreram no incêndio que atingiu a casa noturna Kiss, na madrugada deste domingo (27). A lista com os nomes das vítimas foi divulgada na noite de ontem pelo governo do Estado. A maior parte das vítimas era jovem e estudante. Quase metade das vítimas estudava na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

Fatalidade

A boate Kiss, por meio de seus advogados, divulgou uma nova nota sobre a tragédia. A direção da empresa afirma que o que aconteceu na casa noturna foi uma "fatalidade". O texto diz ainda que a "situação da empresa se encontra regular, contando com todos os equipamentos previsíveis e necessários  para o sistema de proteção e combate contra o incêndio". Os advogados informam também que a direção do estabelecimento está à disposição das autoridades. A nota foi divulgada pelo escritório de advocacia Kümmel & Kümmel, que representa a boate.

Incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada deste domingo (27), durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. O fogo se espalhou em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.

Ao entrar na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para socorrer as vítimas do incêndio ocorrido na madrugada deste domingo (27), os bombeiros se depararam com uma barreira de corpos.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, descreveu a situação.

— Os soldados tiveram que abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando.

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