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publicado em 12/11/2010 às 13h17:

Bola confirma versão de Bruno e
diz que delegado pediu R$ 2 milhões

Edson Moreira teria pedido o dinheiro para inocentar os dois acusados

Fernando Zuba, do Hoje em Dia, com R7

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Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, confirmou a versão do goleiro Bruno ao dizer também que o delegado Edson Moreira, responsável pelo caso do desaparecimento e morte de Eliza Samudiu, pediu R$ 2 milhões para inocentar os dois acusados. A declaração foi dada no depoimento que terminou depois das 12h, nesta sexta-feira (12) em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

Bola negou ainda a acusação de ser o executor de Eliza e, como álibi, alegou que no dia 10 de junho - data em que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a modelo foi morta por asfixia pelo ex-policial - assistia a uma aula de um curso de Direito numa faculdade na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Chorando compulsivamente, o acusado encerrou o interrogatório de aproximadamente duas horas dizendo que, se a proposta fosse divulgada para a imprensa, ele e a família seriam mortos a mando de Moreira. De acordo com o depoimento, Bola deveria arranjar a quantia para conseguir a liberdade dele e a de Bruno. Moreira ficaria encarregado de incriminar os outros réus. A Polícia Civil nega as acusações de extorsão.

O acusado disse ainda que conhece o delegado desde os tempos em que foram colegas da Polícia Civil de Minas Gerais, quando entrou em 1990. O delegado foi seu professor na Acadepol (Academia de Polícia Civil). Desde então, os dois são inimigos, segundo o acusado. Ele acredita que a inimizade começou porque desmentia Moreira. O delegado dizia que fazia parte da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) em São Paulo, quando fez parte somente da cavalaria da PM paulista, sempre de acordo com o depoimento.

Em 1981 e 1982, Bola serviu o Exército Brasileiro em Juiz de Fora. Nessa época, teria aprendido a adestrar cães. Em 1983, entrou para a Polícia Militar de Minas Gerais e foi excluído por não se adaptar ao regime disciplinar. Em 1989, entrou para a Polícia Civil de Santo André, em São Paulo, e foi desligado por omissão. Um ano depois tornou-se policial civil em Minas.

Durante o interrogatório, ele chorou diversas vezes e comparou Edson Moreira a um anjo mau. Seguindo a analogia, o delegado Júlio Wilke seria o anjo bom. Ele também confirmou que já foi preso por posse ilegal de arma, mas que teria sido uma armação da PM. 

O acusado rebateu a hipótese de os cães terem ingerido os restos da modelo Eliza Samudio. Ele disse que os animais não são treinados para atacar e jamais comeram carne crua, somente frita ou cozida. Chegou a sugerir à juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues que levasse os cães para o Fórum e oferecesse carne crua a eles.

Bola estava no Fórum de Contagem acompanhado do advogado Luiz Alberto de Oliveira, sócio e irmão do também advogado Zanone Manoel de Oliveira. Como prometeu, ele não respondeu às perguntas da juíza, do Ministério Público, dos assistentes de acusação e dos demais advogados de defesa.

Juíza surpreende e convoca depoimento de Macarrão

Logo após o interrogatório de Bola acabar, a juíza surpreendeu a todos que estavam no Fórum e convocou Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, para depor. No entanto, o advogado Claudio Dalledone Junior pediu para conversar com o cliente e, novamente, vetou o depoimento de Macarrão.

A defesa de Macarrão decidiu armar um tumulto durante a audiência para fazer com que o cliente não respondesse às perguntas da juíza Marixa Fabiane Lopes. Macarrão disse que não daria nenhuma declaração sobre o caso e a audiência foi encerrada por volta das 22h30.

Enquanto a juíza lia o depoimento dado pelo acusado à polícia quando ele foi preso, os três advogados - Claudio Dalledone, Wasley Vasconcelos e Américo Leal – começaram a conversar alto. Marixa pediu para que eles parassem de falar, pois estavam atrapalhando o trabalho dela. Os advogados começaram uma discussão e a juíza então ordenou que eles saíssem da sala. Dalledone, neste momento, falou para Macarrão não responder a nenhuma pergunta. O réu acatou a ordem e disse que “não tinha mais nada a declarar”.

Leal revelou depois aos repórteres que forçou uma confusão para que o cliente não prestasse depoimento. Dalledone também disse que vai pedir uma acareação à Justiça, mas não informou quem ele deseja que seja confrontado com Macarrão. 

A expectativa é de que agora a próxima interrogada seja Fernanda Gomes de Castro, como previsto, após a pausa para almoço. 

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