Foto por Alexandre-Azevedo/Projeto Maqua (Uerj)Pelo menos 50 animais vivem e se reproduzem nas águas sujas
Os mamíferos se concentram na região do canal central e da Área de Preservação Ambiental de Guapimirim, ao norte da Baía de Guanabara. Os animais escolhem esses lugares por serem menos poluídos, segundo o professor Alexandre Azevedo.
Nos últimos 14 anos, foram identificados 82 botos. Pelos menos 30 já não são mais vistos. No entanto, dez animais com marcas naturais que permitem a identificação são sempre observados desde 1999.
- Acompanhamos, por exemplo, o caso de um boto que nasceu na Baía de Guanabara, alcançou a idade adulta, se reproduziu e vive lá até hoje. Essa é uma grande vitória.
Cerca de quatro botos morrem por ano nas águas sujas da grande Guanabara, de acordo com estudos do Projeto Maqua. Eles vivem em média 30 anos e vêm tendo dificuldades de reprodução. Uma possível causa seria a contaminação do meio.- O nível de contaminantes [ascarel, um óleo usado como isolante em geradores e capacitores, e o pesticida DDT, usado na agricultura] nos tecidos dos botos é enorme e pode causar problemas hormonais e disfunções no sistema reprodutor.
Os botos são os únicos mamíferos que ainda frequentam a Baía. Outras duas ou três espécies de golfinhos e uma espécie de baleia já foram identificadas no passado, mas já não são encontradas.
O Projeto Maqua desenvolve pesquisas e projetos de preservação desses animais desde 1992 em todo o Estado do Rio.