27 de Maio de 2012
Goleiro não quis dizer quem repassou informação; audiência durou cerca de 11 horas
O ex-goleiro Bruno Fernandes, acusado de ser o mentor do desaparecimento de Eliza Samudio, afirmou à juíza Marixa Fabiane Lopes, durante audiência na noite desta quinta-feira (11), que dois jogadores “renomados” ligaram um dia antes de ele se entregar à polícia para contar que viram a modelo em São Paulo, entre os dias 11 e 12 de junho.
O depoimento do atleta, no prédio Tribunal do Júri de Contagem (na região metropolitana de Belo Horizonte), durou cerca 10 horas. Ele começou a falar por volta das 10h20, teve um intervalo entre 14h e 15h e prosseguiu até as 21h.
Pouco antes do fim da audiência, Bruno afirmou que conheceu Eliza em uma orgia na casa de um amigo, no Rio de Janeiro. Ele contou que manteve relações sexuais com a jovem durante cerca de 15 minutos e esta “foi a primeira e única vez”. O atleta também disse que nunca tinha visto na vida o ex-policial civil conhecido como Bola, que teria jogado partes do corpo da jovem aos cães.
O advogado de Bruno, Ércio Quaresma, pediu, cerca de meia hora antes do encerramento, que a juíza autorizasse a reprodução do vídeo feito no avião que trouxe Bruno e Macarrão do Rio até a capital mineira. No final, o defensor perguntou ao cliente porque ele havia dito que não confiava no amigo com quem viajou. Bruno relatou que estava muito nervoso no dia, mas que confiava muito em Macarrão.
Pagamento de propina
Durante a audiência, o ex-goleiro também contou à juíza que o delegado Edson Moreira, responsável pelo inquérito sobre o desaparecimento de Eliza, teria pedido R$ 2 milhões para inocentá-lo do caso. Ele afirmou, ainda, que o pedido de Moreira foi feito por intermédio de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que também seria inocentado. Se o acordo fosse cumprido, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e um adolescente, primo de goleiro Bruno, seriam responsabilizados pela morte de Eliza.
O jogador disse que Eliza pediu R$ 50 mil a ele e decidiu ir a Minas Gerais para receber a quantia. Bruno contou que soube do pedido de dinheiro quando estava em uma concentração no hotel Windsor, no Rio de Janeiro, e que, na ocasião, ele disse que teria apenas parte da quantia (R$ 30 mil). Ele prometeu depositar o dinheiro na conta da jovem, mas ela preferiu ir até Minas Gerais para receber o cheque.
A partir de então, Bruno, Fernanda Gomes Castro, ex-amante do goleiro, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, o menor, primo de Bruno, e Eliza foram a BH para pegar o dinheiro restante. O goleiro não explicou por que eles foram para Minas, já que estavam todos juntos no Rio.
Depois disso, ele confirmou que esteve em um motel em Contagem junto com Eliza e o filho, Fernanda, Macarrão e o menor, enquanto iam do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Segundo Bruno, do motel, ele foi participar à tarde de uma partida de futebol, no bairro Veneza, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Eliza teria manifestado vontade de assistir ao jogo e teria dito que seria a primeira vez que o filho ia ver o pai jogar futebol. Bruno disse que, no intervalo da partida, levou a criança ao vestiário e a apresentou como Bruno Henrique.
Ainda segundo o goleiro, Macarrão foi ao Rio de Janeiro no dia 7 de junho acompanhado de Fernanda para conseguir dinheiro para a realização de uma festa e também para dar à Eliza a quantia que faltava. No dia seguinte, terça-feira, 8 de junho, ele retornou com uma quantia que Bruno não soube precisar. Já na quarta-feira, 9 de junho, Bruno teria dado R$ 30 mil para Eliza, em notas de 50 e 100 reais. Mas Eliza pediu para ficar mais um dia.
Anteriormente, Bruno disse à juíza que foi para Minas para entregar o dinheiro a Eliza. Nessa hora, Bruno entrou em contradição, pois, mais cedo, havia dito que Eliza estava indo com ele para Minas para pegar o dinheiro.
Agressão
O goleiro também contou à juíza como Eliza foi agredida no trajeto após um jantar com Macarrão, até o hotel Windsor, no Rio. Segundo Bruno, a jovem estaria o insultando no trajeto, e o primo dele menor de idade irritou-se e deu um soco no nariz dela. O jogador contou que soube que Macarrão teve de parar o carro para apartar a briga dos dois. Bruno não mencionou a coronhada na cabeça.
Quanto ao depoimento do menor de idade, que foi quem revelou toda a trama para matar Eliza Samudio, o goleiro disse que não sabe o porquê de ele ter inventado a história. Segundo o jogador, o garoto tem "distúrbio, uns brancos", mas é uma boa pessoa. Bruno também afirmou que não respondeu aos policiais quando foi interrogado porque eles queriam que ele confirmasse a história do menor.
O jogador também elogiou muito o amigo Macarrão. Segundo Bruno, só depois que o amigo começou a tomar conta de suas finanças que a vida dele começou "a andar". Por outro lado, o goleiro disse estar muito decepcionado com primo Sérgio Rosa Sales, com quem morou.
- Eu ajudava ele [Sérgio], mesmo sem trabalhar para mim. Ajudei muito e perdi a confiança. Ele saiu da minha casa e não quis mais estudar, perdeu boas oportunidades".
Além de Bruno, deve ser ouvido nesta quinta o Macarrão. Faltam também os interrogatórios do policial civil Marco Aparecido dos Santos, o Bola, e da ex-amante do goleiro Fernanda.
Antes de começar a audiência, o advogado do atleta, Ércio Quaresma, solicitou à juíza que ele tivesse 30 minutos para conversar com seu cliente. Logo no início da sessão, a juíza leu o pedido da defesa de Macarrão para o afastamento dela do caso. O defensor alegou que Marixa já teria tomado partido pela condenação dos acusados. A solicitação foi negada. O advogado de Macarrão já afirmou que seu cliente deve ficar calado.
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