27 de Maio de 2012
Marcos Aparecido dos Santos, o Bola também seria inocente com este acordo
Após quase dez horas de depoimento, o goleiro Bruno Fernandes afirmou à juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o delegado Edson Moreira, responsável pelo inquérito sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, pediu R$ 2 milhões para inocentá-lo do caso.
Bruno registrou a queixa à juíza e afirmou, ainda, que o pedido de Moreira foi feito por meio de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que também seria inocentado caso. Se o acordo fosse cumprido, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e o adolescente primo de goleiro Bruno seriam culpados pela morte de Eliza.
Também durante o depoimento, o jogador disse que Eliza pediu R$ 50 mil a ele e decidiu ir para Minas Gerais para receber a quantia. Bruno contou que soube do pedido de dinheiro quando estava em uma concentração no hotel Windsor e que, na ocasião, ele disse que não teria toda a quantia, apenas uma parte (R$ 30 mil). Ele prometeu depositar o dinheiro na conta da jovem, mas ela preferiu ir até Minas Gerais para receber o cheque.
A partir de então, Bruno, Fernanda Gomes Castro, ex-amante do goleiro, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, o menor e Eliza foram para BH entregar o dinheiro restante. O goleiro não explicou por que eles foram para Minas, já que estavam todos juntos no Rio.
Depois disso, ele confirmou que esteve em um motel em Contagem junto com Eliza e o filho, Fernanda, Macarrão e o menor, enquanto iam do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Segundo Bruno, do motel, à tarde, ele foi participar de uma partida de futebol, no bairro Veneza, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Eliza manifestou vontade de assistir ao jogo e teria dito que seria a primeira vez que o filho ia ver o pai jogar futebol. No intervalo da partida, Bruno levou a criança ao vestiário e a apresentou como Bruno Henrique.
Ainda segundo Bruno, Macarrão foi para o Rio de Janeiro no dia 7 de junho acompanhado de Fernanda para conseguir dinheiro para a realização de uma festa e também para dar a Eliza. No dia seguinte, terça-feira, 8 de junho, ele retornou com uma quantia que Bruno não soube precisar. Já na quarta-feira, 9 de junho, Bruno entregou R$ 30 mil para Eliza, em notas de 50 e 100 reais. Mas Eliza pediu para ficar mais um dia. Anteriormente, Bruno disse à juíza que foi para Minas para entregar o dinheiro à Eliza. Nessa hora, Bruno entrou em contradição, pois mais cedo havia dito que Eliza estava indo com ele para Minas para pegar o dinheiro.
Agressão
O goleiro também contou à juíza como Eliza foi agredida no trajeto após um jantar com Macarrão, até o hotel Windsor, no Rio. Segundo Bruno, a jovem estaria o insultando no trajeto, e o primo dele menor de idade irritou-se e deu um soco no nariz dela. O jogador contou que soube que Macarrão teve de parar o carro para apartar a briga dos dois. Bruno não mencionou a coronhada na cabeça.
Quanto ao depoimento do menor de idade, que foi quem revelou toda a trama para matar Eliza Samudio, o goleiro disse que não sabe o porquê de ele ter inventado a história. Segundo o jogador, o garoto tem "distúrbio, uns brancos", mas é uma boa pessoa. Bruno também afirmou que não respondeu aos policiais quando foi interrogado porque eles queriam que ele confirmasse a história do menor.
O jogador também elogiou muito o amigo Macarrão. Segundo Bruno, só depois que o amigo começou a tomar conta de suas finanças que a vida dele começou "a andar". Por outro lado, o goleiro disse estar muito decepcionado com primo Sérgio Rosa Sales, com quem morou.
- Eu ajudava ele [Sérgio], mesmo sem trabalhar para mim. Ajudei muito e perdi a confiança. Ele saiu da minha casa e não quis mais estudar, perdeu boas oportunidades".
Além de Bruno, deve ser ouvido nesta quinta o Macarrão. Faltam também os interrogatórios do policial civil Marco Aparecido dos Santos, o Bola, e da ex-amante do goleiro Fernanda.
Antes de começar a audiência, o advogado do atleta, Ércio Quaresma, solicitou à juíza que ele tivesse 30 minutos para conversar com seu cliente. Logo no início da sessão, a juíza leu o pedido da defesa de Macarrão para o afastamento dela do caso. O defensor alegou que Marixa já teria tomado partido pela condenação dos acusados. A solicitação foi negada. O advogado de Macarrão já afirmou que seu cliente deve ficar calado.
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