27 de Maio de 2012
Em depoimento, parente questionou jogador se a jovem tinha que ser morta

A Polícia Civil mineira trabalha com fortes indícios de que Eliza Samudio foi morta em um crime premeditado, mas também que o goleiro Bruno Fernandes Souza chegou a se arrepender do suposto assassinato de sua ex-amante.
Veja cobertura completa do caso
No depoimento que prestou aos delegados Wagner Pinto e Edson Moreira, o primo do jogador, Sérgio Rosa Salles, de 22 anos, contou que chegou a questionar Bruno sobre a real necessidade de a jovem de 25 anos ser morta, no dia 9 de junho, conforme o relato.
- Não era melhor você ter resolvido isso na Justiça? - questionou Sérgio
- Já está feito - teria respondido Bruno, segundo Sérgio
De acordo com o descrito na página 11 do depoimento de Sérgio, a partir daí - já de volta ao sítio do jogador em Esmeraldas (MG), após a incursão até a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como o autor da execução, o goleiro Bruno pareceu ter ficado comovido, até chorou e disse que estava arrependido.Sérgio conta no depoimento que, após dormirem, no dia seguinte, todos acordaram por volta das 10h e estavam bastante normais, não parecendo ter acontecido nada na noite anterior
O primo de Bruno alega que não participou das agressões e nem acompanhou o grupo até o suposto local da execução. Nesta sexta-feira (9), durante um contato com seu advogado, Marco Antônio Siqueira, Sérgio disse que não denunciou que Eliza era agredida e sendo mantida em cárcere privado no sítio por medo de Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Sérgio e Macarrão tinham uma rixa, segundo o advogado, e disputavam a preferência na amizade com Bruno.
O goleiro, Macarrão e Bola chegaram algemados e com o uniforme vermelho do sistema prisional mineiro por volta das 11h no Departamento de Investigação (DI), em Belo Horizonte. Eles passaram a noite em celas separadas no presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG). Como na chegada de Bruno e Macarrão, que partiram do Rio, durante a madrugada, o trio foi recebido por populares com gritos de "assassinos".
Saliva
No DI, Bruno, Macarrão e Bola foram orientados por seus advogados a não ceder o material genético para as investigações e o exame de DNA que poderá identificar o vestígio de sangue masculino encontrado na Range Rover do goleiro.
O delegado Edson Moreira disse que espera que Bruno coopere com a investigação, mas sugeriu que a polícia já tem provas suficientes para indiciá-lo.
- Não sei se ele vai cooperar ou não. Mas também para a investigação, isso é irrelevante. O ônus da prova é nossa. Pela orientação que eu tenho visto a todo momento, não sei se ele irá cooperar. Mas também é irrelevante se ele vai cooperar ou não
Um laptop utilizado por Eliza e encaminhado pela Polícia Civil paulista para Minas foi encaminhado para Instituto de Criminalística (IC), que iria analisar as mensagens eletrônicas, imagens e outros conteúdos que pudessem auxiliar na arregimentação de provas. Peritos do IC iniciariam nesta sexta a perícia no veículo Eco Sport, que estaria em nome do goleiro reserva do Flamengo Paulo Victor. O veículo teria sido utilizado para levar Eliza para o local da execução, segundo depoimentos.
A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de atribuição de seis crimes aos suspeitos: homicídio, ocultação de cadáver, tortura, sequestro, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menor. Moreira disse ainda que acredita em duas motivações para o crime: a busca de Eliza pelo reconhecimento da paternidade do filho e a vingança pelo fato de ela ter denunciado Bruno e Macarrão por agressão e ameaça no Rio de Janeiro.
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