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publicado em 02/04/2010 às 16h40:

Ciclovias do Rio são disputadas por pedestres,
cães, carrinhos de bebê e até cadeirantes

Local exclusivo para ciclistas e corredores é desrespeitado por muitos na cidade

Camila Ruback, do R7, no Rio

O Rio de Janeiro, nomeado Capital da  Bicicleta, tem cerca de 150 km de ciclovias que ocupam principalmente a orla das zonas sul e oeste. Mas o local que deveria ser usado somente por ciclistas (que não estejam em alta velocidade) e corredores (que não estejam em baixa velocidade) é justamente o alvo de pedestres, vendedores ambulantes, pessoas passeando com cães na coleira, pais e babás com carrinhos de bebês e até mesmo cadeirantes.

A reportagem do R7 flagrou todas essas irregularidades durante uma manhã ensolarada na praia de Ipanema, zona sul. E o desrespeito, segundo os próprios ciclistas e corredores, não envolve apenas os "intrusos". Muitos reclamaram que alguns ciclistas correm excessivamente e desrespeitam o sentido. Quanto aos corredores, as queixas acontecem quando estes passam a caminhar e quando resolvem mudar o sentido da corrida (a chamada "voltinha"), sem olhar para trás para evitar colisões.

Segundo Eduardo Benhardt, que trabalha na ONG (Organização Não Governamental) Transporte Ativo, as infrações acima são muito comuns no entorno da lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul.

- Na Lagoa há a faixa compartilhada, que é usada por pedestres, corredores e ciclistas. Seria muito melhor se todos respeitassem o sentido de direção, mas isso não acontece e vira bagunça. A maioria dos acidentes no local é por causa disso. Já a ciclovia da orla da zona sul acaba se tornando perigosa porque o movimento de crianças, cachorros e ambulantes é muito grande, ciclistas correm no "retão" e alguns não respeitam o sinal de trânsito. Os acidentes geralmente são porque o corredor mudou de direção sem olhar para trás. As da Barra da Tijuca e Recreio (zona oeste) têm menos movimento, mais curvas e se tornam mais tranquilas.

Uma cadeirante que passeava pela ciclovia de Ipanema e preferiu não se identificar disse que usa o local por causa do piso liso. Essa foi a mesma resposta dada por uma babá que empurrava um carrinho de bebê.

- O calçadão tem pedras portuguesas que fazem o carrinho tremer e balançar muito. Já a ciclovia tem piso lisinho e o carrinho fica até mais leve. Nós dois gostamos mais.

A analista de comércio exterior, Renata Loureiro, mora em Botafogo, zona sul, e pedala por lazer. Ela já sofreu vários acidentes em ciclovias e agora prefere a floresta da Tijuca, zona norte.

- O último acidente foi quando um turista atravessou a ciclovia de Copacabana fora da faixa e sem olhar. Eu não consegui desviar  e acabei dando uma trombada. Ele ameaçou me bater achando que eu estava errada. Já o mais marcante foi em Ipanema. Uma criança de dois anos correu em direção à bicicleta após descuido dos pais e eu a acertei em cheio. Não suporto andar em ciclovia porque não tem respeito. Quem não pedala não tem noção dos limites.

O presidente da Fecierj (Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro), Claudio da Silva Santos, acredita que a prefeitura deveria investir em programas de conscientização da população, fiscalização e ainda oferecer mais bicicletários.

- A realidade poderia ser bem melhor se houvesse mais campanhas de educação com placas informativas e panfletos, por exemplo. As bicicletas também poderiam ser mais utilizadas se tivesse mais segurança para isso. Hoje, o ciclista deixa a bike em um bicicletário público e não sabe se vai encontrá-la ao retornar.

A gerente de ciclovias da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Anete Markus, informou que o centro de educação ambiental da prefeitura realiza campanhas de conscientização itinerantes, durante os fins de semana, nas áreas com ciclovias.

- Não há equipe específica de fiscalização porque acreditamos na campanha de educação e mudança de hábitos por parte da população. A Guarda Municipal até pode fiscalizar, mas não é a intenção, pelo menos neste momento.

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(Foto Camila Ruback / R7: vendedor ambulante deixa triciclo parado em uma faixa da ciclovia)

Mais 45 km de ciclovias até 2016

A cidade onde cerca de um millhão de viagens de bicicleta são realizadas por dia - seja para trabalho, esporte ou lazer - segundo estimativas da ONG Transporte Ativo, vai ganhar mais 45 km de ciclovias.

É o que prevê o projeto do Corredor T5 para a Olimpíada de 2016. Além de espaço exclusivo para ônibus da zona norte à Barra da Tijuca, na zona oeste, haverá ciclovias que devem cortar dez bairros.

Eduardo Benhardt, que trabalha na ONG, acha que será um grande ganho para a população do subúrbio principalmente.

- Atualmente as zonas norte e oeste têm o maior número de usuários de bicicletas da cidade, mas a região não tem a infraestrutura necessária. A expectativa é que com a ciclovia chegando a estes lugares o número de ciclistas seja ainda maior.

A polêmica do uso do capacete

Para Benhardt, o uso do capacete como equipamento de segurança para ciclistas é polêmico. Segundo ele, estudos sobre o tema indicam que apenas 1% dos ferimentos após acidentes envolvendo bicicletas são na cabeça.

- As partes do corpo mais atingidas geralmente são pernas e braços. Pra mim, luva e joelheira são mais eficazes. Tenho um amigo que pedalava de capacete, caiu e perdeu massa da mão. Na dúvida, é melhor usar os três ítens.

O integrante da ONG Transporte Ativo disse ainda que não há estatísticas sobre o número de acidentes envolvendo ciclistas porque os casos não são registrados oficialmente.

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(Foto Camila Ruback / R7: homem caminha no meio da ciclovia falando ao celular)

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