27 de Maio de 2012
Falta de galpões para recolher o lixo coletado é um dos principais entraves
A coleta seletiva de lixo em Belo Horizonte está parada. Atualmente, o serviço funciona em 30 bairros, todos na região centro-sul, o que equivale a apenas 6,1% dos 489 bairros da capital. Além disso, a prefeitura enfrenta dificuldades para manter iniciativas simples, como os LEVs (Locais de Entrega Voluntária).
Os principais entraves são: a falta de galpões para enviar o lixo coletado, o número reduzido de pessoas interessadas em se tornar catadores e de indústrias que comprem o material vendido pelas associações. A análise é da própria SLU (Superintendência de Limpeza Urbana). No entanto, pessoas ligadas à reciclagem rebatem a afirmação. Para elas, a coleta seletiva não avança por falta de vontade política.
Em Belo Horizonte são coletadas, diariamente, 30 toneladas de lixo reciclável. O material vai para sete associações conveniadas com a prefeitura. Ao todo, são oito galpões. Dois deles funcionam na Asmare (Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável). Nos espaços, papéis, plásticos, metais e vidros são separados, limpos, compactados ou triturados. Em seguida, são colocados em fardos para serem pesados e vendidos para empresas de reciclagem.
Segundo o diretor de Planejamento e Gestão da SLU, Lucas Paulo Gariglio, os galpões e associações da capital já trabalham com a sua capacidade máxima. A única possibilidade de ampliação real da coleta seletiva seria a implantação de mais indústrias de beneficiamento na Grande BH.
- Estamos qualificando os catadores. Nossa intenção é melhorar o fluxo de materiais e reduzir o volume do lixo que não é aproveitado.
Para o coordenador de CMRR (Mobilização do Centro Mineiro de Reciclagem de Resíduos), José Aparecido Gonçalves, o discurso de que a capacidade da cidade está esgotada é “mentiroso e perigoso”. Segundo ele, existem centenas de potenciais catadores.
- Basta um pequeno apoio do poder público para que estas pessoas sejam incluídas na sociedade.
Gonçalves reforça que 90% de todo o lixo reciclado no Brasil é coletado pelos catadores, conforme estudo realizado pelo Cempre (Compromisso Empresarial Pela Reciclagem). Segundo ele, a coleta feita pelos membros das associações, ou autônomos, é mais eficiente do que a realizada pelos caminhões da prefeitura.
- Quando os catadores estão em ação, 60% do que é coletado pode ser reaproveitado. Nos caminhões, que são mais caros para os cofres públicos, esse percentual é de 30% ou 20%.
Um outro estudo, apresentado na semana passada, aponta a construção de Parcerias Público-Privada como alternativa para a ampliação do serviço de coleta seletiva e reciclagem nas cidades de grande e médio porte. A pesquisa foi divulgada pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Já para os municípios menores, com até 20 mil habitantes, a assinatura de convênios entre cidades vizinhas seria a solução.
Para o diretor-executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho, o problema é ainda maior nos municípios do interior. Segundo o levantamento, dos 5.565 municípios do Brasil, 3.921 (70%), têm menos de 20 mil habitantes. Nestas cidades, o baixo volume de lixo gerado diariamente significa pouco interesse das empresas de coleta e reciclagem.
- Nestes casos, o consórcio é a única opção viável. Mas sabemos que ele é complicado, pois envolve muitos fatores. Teremos que trabalhar para mudar a mentalidade nas administrações públicas.
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